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A Cicatriz do Diabo

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! A Cicatriz do Diabo Dizem por aí que o diabo marca seus escolhidos com uma cicatriz. Bobagem, né? Mas vai lá dizer isso pra quem acorda todo dia com uma dor estranha na pele, bem no meio das costas, onde ninguém consegue ver direito — só sentir. Na real, o mundo já nasceu marcado. Nas calçadas imundas, nos bares caindo aos pedaços, nos olhos vazios das pessoas que te encaram no trem lotado. Todo mundo tá carregando alguma merda nas costas. Uns chamam de trauma, outros de dívida, outros de ex-mulher. Mas tem quem diga que é coisa do capeta. O pessoal da Idade Média pirava nessa parada. Imaginavam o diabo andando por aí, deixando uma cicatriz em quem topasse vender a alma por um punhado de prata ou uma noite de prazer com uma mulher  gostosa. É engraçado como o ser humano sempre dá um jeito de botar a culpa em alguém quando faz merda. E a humanidade faz muita merda, não? ...

Poema: Melodia das Ruínas

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!




Poema: Melodia das Ruínas




A melodia ecoa, vem contar o que o tempo, cruel, ia perder.

Mistérios de além-mar a guiar, cidades que nasceram e fenecer.

Castelos no ar, de pedra e caos, não carne como o homem, nobre animal.

Muros sem fé, surdos ao vendaval, enquanto o vento assobia seu ritual.

Por ruínas destroçadas, o som vai dançar, dando lugar ao sonho de eternizar.

Velha canção repete sem cessar, para paredes que não vão escutar.

Carne humana, frágil e mortal, contra a pedra que resiste, mas vai ruir.

Babilônia afoga na maré fatal, e a voz insiste hora de abrir, de ouvir.

Uma janela surge no muro surdo, para o acordar que o tempo vai me chamar.

A melodia persiste, em reflexo profundo,

poucas chances restam para ousar.

A melodia ecoa, fraca e a chorar, contando o que o tempo devora sem fim.

Mistérios de além-mar, perdidos no ar, cidades que nasceram e sumiram no sim.

Castelos de fumaça, de pedra e silêncio frio, não carne como o homem, nobre e ferido.

Muros sem alma, sem fé, sem vazio, enquanto o vento uiva, esquecido e perdido.

Ruínas se curvam, o sonho apodrece,

eternidade falsa que o pó vai levar.

Canção velha geme, repete e enrubesce, para paredes surdas que nunca vão amar.

Carne humana, sangrenta e fugaz, contra a pedra imóvel que racha no breu.

Babilônia tomba no vendaval voraz, afogada na maré, sem adeus, sem adeus.

Uma janela? Talvez, no muro cego e mudo, mas o acordar vem tarde, em sombra sem cor.

A voz se desfaz no silêncio agudo, poucas chances e o nada a devorar.




É isso! Até a próxima!




Autoria: Luciano Otaciano 







Comentários

  1. Luciano como sempre uma linda poesia que fala ao nosso coração, Luciano desejo uma feliz quinta-feira bjs.

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    Respostas
    1. Oi, Lucimar! Valeu! Tenha uma ótima quinta-feira. Abraço!

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  2. Lu,
    Muitas vezes essa janela
    é a poesia que vive dentro da gente.
    O muro da vida pode até estar em
    ruinas, mas nós seguimos como
    seguem nossas palavras.
    Lindos versos.
    É sempre um ar novo vir ler aqui com
    você.
    Bjins
    CatiahôAlc.

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    Respostas
    1. Oi, Catiaho! É bem por aí amiga. De pleno acordo com sua visão. Um abraço!

      Excluir
  3. Parabéns pela poesia. De uma profundidade incrível.

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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