Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Ester, suas duas Filhas e Anastácio I Esqueceste, não foi? Esqueceste que sou tua mulher. Pois então, assenta esse corpo fatigado e encara, com os olhos bem abertos, a sentença que te cabe. Sou aquela com quem tu selaste pacto diante do altar de uma igrejinha simplória— onde o amor, idiota e esperançoso, ainda ousava se vestir de domingo. Eu, a que suportou tua ausência mesmo quando estavas presente; teus silêncios que transbordavam desculpas mal paridas; tua falta de norte disfarçada em pose de artista incompreendido. E agora, agora ousas tratar-me como sombra incômoda presa na sola de teus sapatos gastos — sombra que arrastas pelas calçadas da tua fuga. Sim, tua fuga. Covarde, silenciosa, disfarçada de liberdade. Tu, rodeado por essa fauna esnobe de cabeças ocas que sorvem café frio enquanto discutem Nietzsche como se mastigassem o próprio céu. Tu, sempre tu; ten...
Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Entre Mil Fés e um Coração Luciano acordou com o peso da solidão e uma inquietação que não cabia em palavras. Sempre sentira que não pertencia a nenhuma religião, e hoje queria caminhar pela cidade que chamavam de CIDADE DAS MIL FÉS, não para rezar, mas para entender por que outros precisavam acreditar. O primeiro passo o levou à velha igreja do centro. O sino soava, profundo e grave, e Luciano sentiu uma pontada de inveja silenciosa daqueles que se apoiavam em dogmas claros. Entrou sem querer, mas o calor da vela e o aroma de incenso penetraram em sua pele. Viu mulheres e homens ajoelhados, rezando com olhos fechados e corações expostos. Ele se sentiu estranhamente deslocado; não tinha fé, não tinha santos, não tinha rituais, apenas um vazio que insistia em ecoar. Na praça, o coral evangélico cantava alto, e a música se espalhava como luz. Luciano ouviu a energia coletiva e q...