Pular para o conteúdo principal

Postagens

O Saber que Mora na Quietude

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! O Saber que Mora na Quietude  Fé, essa palavra que tantos pronunciam como quem decora uma senha para o céu, perdeu-se no ruído das certezas inventadas. Digo com o coração calmo; a verdadeira fé não está no acreditar — esse verbo que anda de mãos dadas com o medo —, mas no saber. Não no saber dos livros ou das cátedras, mas naquele que brota do silêncio que habita os corações que já se renderam. Não devemos esperar que tudo dê certo um dia. Isso é fé infantil, esperança com rodinhas. A fé madura sabe, simplesmente sabe, que tudo já está certo — ainda que nossos olhos insistam em enxergar bagunça, caos ou atraso. Esse saber não pede provas, nem precisa de plateia. Ele apenas é. Quieto, presente, firme como raiz de árvore grande e adulta. Veja bem, ou você sente Deus ou acredita em Deus. Os dois ao mesmo tempo, não dá liga. Quem acredita ainda precisa se convencer. Quem o sente ...
Postagens recentes

A Cicatriz do Diabo

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! A Cicatriz do Diabo Dizem por aí que o diabo marca seus escolhidos com uma cicatriz. Bobagem, né? Mas vai lá dizer isso pra quem acorda todo dia com uma dor estranha na pele, bem no meio das costas, onde ninguém consegue ver direito — só sentir. Na real, o mundo já nasceu marcado. Nas calçadas imundas, nos bares caindo aos pedaços, nos olhos vazios das pessoas que te encaram no trem lotado. Todo mundo tá carregando alguma merda nas costas. Uns chamam de trauma, outros de dívida, outros de ex-mulher. Mas tem quem diga que é coisa do capeta. O pessoal da Idade Média pirava nessa parada. Imaginavam o diabo andando por aí, deixando uma cicatriz em quem topasse vender a alma por um punhado de prata ou uma noite de prazer com uma mulher  gostosa. É engraçado como o ser humano sempre dá um jeito de botar a culpa em alguém quando faz merda. E a humanidade faz muita merda, não? ...

Conto: Ester, suas duas Filhas e Anastácio

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Ester, suas duas Filhas e Anastácio   I Esqueceste, não foi? Esqueceste que sou tua mulher. Pois então, assenta esse corpo fatigado e encara, com os olhos bem abertos, a sentença que te cabe. Sou aquela com quem tu selaste pacto diante do altar de uma igrejinha simplória— onde o amor, idiota e esperançoso, ainda ousava se vestir de domingo. Eu, a que suportou tua ausência mesmo quando estavas presente; teus silêncios que transbordavam desculpas mal paridas; tua falta de norte disfarçada em pose de artista incompreendido. E agora, agora ousas tratar-me como sombra incômoda presa na sola de teus sapatos gastos — sombra que arrastas pelas calçadas da tua fuga. Sim, tua fuga. Covarde, silenciosa, disfarçada de liberdade. Tu, rodeado por essa fauna esnobe de cabeças ocas que sorvem café frio enquanto discutem Nietzsche como se mastigassem o próprio céu. Tu, sempre tu; ten...

Poema: À Carne que se Perdeu

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema:  À Carne que se Perdeu  Fecho os olhos e sinto teu corpo diante de mim. Cada gesto. Cada curva.  Cada respiração tua incendiando o meu sangue. Despertando a fome que não se sacia. Não é apenas desejo — é necessidade existencial. Minha carne clama pela tua. Minh 'alma reconhece a tua como extensão da própria essência. Se pudesse, devoraria cada instante. Cada suspiro teu, como se cada toque fosse um pedaço do céu perdido. Mesmo separados pela matéria. Sinto teu calor percorrendo meus nervos. Arrepio que tua presença invisível causa em mim. E sei, no silêncio do universo, que essa impetuosidade será satisfeita — em carne ou em espírito. Nosso encontro é inevitável. Que o tempo da Terra não nos frustre. Que a distância física apenas intensifique o desejo. Que cada pensamento. Cada memória. Cada desejo nos aproxime do instante em que, enfim, nossas almas e corpos se...

Vem de Dentro

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! Vem de Dentro Existe um momento do dia — e quase sempre ele chega no silêncio — em que nos perguntamos: “o que, de fato, eu sei?”. A princípio, parece pergunta de livro de autoajuda ou papo de filósofo entediado. Mas não. É só uma inquietação legítima que bate quando percebemos que a maioria das ideias que carregamos nos bolsos da mente não são realmente nossas. Chamam isso de conhecimento. Eu chamo de mobília emprestada. A gente vai ouvindo, lendo, pegando emprestado o que disseram por aí, e logo aquilo se instala em nós feito sofá obsoleto na sala da alma. Sentamos sobre certezas alheias, descansamos sobre frases feitas, e até decoramos o ambiente com verdades que não fomos nós quem plantamos. É um armazenamento sutil — silencioso e cumulativo. Como se estivéssemos, dia após dia, armazenando o outro dentro da gente. E quanto mais o tempo passa, mais pesamos. Um peso intelectual,...

Multidão Contemporânea Descaracterizada

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir! Multidão Contemporânea Descaracterizada  Qual é o seu temor? De não se sentir parte deste vasto rebanho ao qual você se habituou a seguir, aguardando o retorno e a validação que lhe são tão caros? O desejo de pertencimento é uma inclinação natural da espécie humana. Contudo, a dependência não emana da essência, mas do temor. Uma condição do ego que se limita a si mesma na busca pela aceitação, aprisionando-se na aparência de algo que não reflete sua verdadeira natureza. Assim, uma falsa identidade se ergue, criada para evitar a invisibilidade. Pergunte a si mesmo. Isso está me moldando em um ser mais autêntico e verdadeiro? Ou está me distanciando da legitimidade da minha alma? A sociedade impõe os critérios do que será aceito e o que será relegado ao exílio. Essa dinâmica de exclusão e isolamento gera um sofrimento profundo. Remete-nos a tempos ancestrais, em que a aceitação...

Conto: Amnesia

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Amnesia No início, nada parecia fora do lugar. As cidades continuavam a respirar em ritmos previsíveis, as pessoas atravessavam os mesmos caminhos, e o tempo — ao menos aparentemente — seguia sua sequência intacta. Ele não saberia dizer quando começou. Não houve evento. Nenhuma ruptura. Nenhum instante que pudesse ser apontado como origem. Apenas uma pequena falha. Quase imperceptível. A primeira vez foi enquanto observava uma xícara sobre a mesa. Nada de incomum — exceto pela sensação de que já havia olhado para ela não uma vez, mas inúmeras vezes naquele mesmo momento. Não como lembrança. Mas como repetição sem intervalo. Ele piscou. A sensação cessou. A xícara permaneceu. Nos dias seguintes, algo semelhante começou a acontecer com mais frequência. Conversas que pareciam já ter ocorrido — não no passado, mas ali mesmo, ainda em andamento. Passos que pareciam se completar ant...