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Conto: Mar de Louise

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Mar de Louise I Ela entrou no apartamento como quem não invade, mas também não pede licença. Havia nela uma presença calma, quase distraída, como se o espaço já a conhecesse antes de mim. O vestido claro não chamava atenção — era o movimento que chamava. Um modo de atravessar o ambiente sem se fixar nele. Seus olhos não procuravam nada, e talvez por isso encontrassem tudo. Cumprimentou-me com um gesto simples. Nada foi dito além do necessário. Ainda assim, algo se deslocou em mim, não como impacto, mas como ajuste. Um objeto antiquado encontrando, enfim, o lugar correto sobre a mesa. O perfume era leve. Não ficou. Passou. E foi exatamente isso que permaneceu. Louise caminhava pelo apartamento observando sem julgar. Tocava os móveis como quem reconhece uma história que não precisa ser contada. Em certos momentos, parecia ouvir algo que eu não ouvia. Em outros, parecia apenas de...
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Resenha: Olhos D'Água

LIVRO: OLHOS D'ÁGUA  ANO DE LANÇAMENTO: 2014 AUTORA: CONCEIÇÃO EVARISTO  EDITORA: PALLAS  NÚMERO DE PÁGINAS: 116 CLASSIFICAÇÃO: ☆☆☆☆☆ Sinopse:  Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e...

Poema: O Chamado da Lua

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema:  O Chamado da Lua Lua, soberana do silêncio e do mistério. Guardiã das marés e das emoções. Eu me coloco diante de ti. Nu de máscaras, inteiro de alma. Ilumina os cantos escuros do meu ser. Acaricia com tua luz fria o fogo que arde dentro de mim. Torna-o chama sapiente, não ferida — faça dele farol, não labareda cega. Que teus ciclos me ensinem paciência. Que tuas fases me mostrem que até a ausência é apenas um prelúdio do retorno. Que, sob tua vigília, meus desejos encontrem caminho. Que minha carne e minha alma dancem em harmonia sob tua luz. Lua, minha confidente, escuta o chamado que te faço agora. Guarda meus sonhos. Guia meus passos, e, quando a hora for madura, leva-me ao encontro do inestimável que é meu destino. Assim seja, sob tua eterna luz que clareia o abismo profundo. É isso! Até a próxima! Autoria: Luciano Otaciano 

Acima de Tudo, o Sentido

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir! Acima de Tudo, o Sentido Ontem de tardinha, enquanto os últimos raios solares se punha por entre as frestas da janela, sentei-me com um  latão de cerveja  entre minhas mãos e uma inquietação remota nos olhos: afinal, o que é o sentido da vida? Não me refiro àquelas respostas prontas, alinhadas nas prateleiras das certezas religiosas ou filosóficas, com suas doutrinas cuidadosamente embaladas em dogmas. Refiro-me ao sentido que sussurra no silêncio, que não se impõe, mas que paira — leve e profundo — como o perfume de uma flor que desabrocha sozinha no meio do mato. Aqui no quintal de minha residência há muitas dessas flores inclusive.  A verdade é que o sentido da vida não tem dono. Não é monopólio de credo algum, nem pertence a este ou àquele caminho. Está acima disso. Está acima de toda tentativa de explicação humana. E, no entanto, é tão simples que até o coração...

Poema: Já nem me Lembro Mais.

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Já nem me Lembro Mais. Houve um tempo em que o bem reinava. Veio o pior, um mar de sombras frias, temor de males que o peito devastavam. Coração cercado de espinhos bravios. Sublimei as emoções em trincheiras fundas, esqueci o que quis defender com ardor. Você chegou em paz, sem medo ou pudor, invadiu meu ser, fez-se dona absoluta. Pensei-me incapaz de ilusões tão doces. Crer nas mentiras que sei de cor, mas o coração não pede contas ou provas, só ele conhece o fogo do amor. Já nem lembro mais das razões que me guiaram. As defesas erguidas em noites sem fim.  Ele pulsa sozinho, em segredo acalmado. Explica o que ninguém mais pode ouvir. Já nem me lembro mais. É isso! Até a próxima! Autoria: Luciano Otaciano 

O Mundo é um Açougue

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir! O Mundo é um Açougue    Você nasce com um corpo — carne, osso, vísceras. Parabéns. Agora aguente.  Ganha um passado assim que aprende a mijar no vaso sanitário. Uma infância cheia de promessas arruinadas, uma juventude cheia de sonhos banais, tipo promoção de fim de feira. Depois vem a ambição, essa vadia elegante que te dá um tapinha nas costas e sussurra: VAI LÁ CAMPEÃO.  E aí você vai. Vai pra onde? Pro mundo. O mundo físico. Essa arena de concreto, carne podre e aluguel vencido.  Você pensa que é alguém porque tem um nome, um CPF, uma conta pra pagar e um ego de segunda mão. Mas o mundo, o mundo tá pouco se lixando pra sua biografia. Ele te mastiga de manhã e te cospe à noite.  Se você não aprende a jogar esse jogo selvagem chamado vida, ela o esmagará lentamente aos pouquinhos.  Se você não transcende a matéria, ela te arrasta — fome, sede, ...

Poema: Sombras do Café Esquecido

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Sombras do Café Esquecido O café me deixou ligado, um fio solto no escuro. Você ficou de ligar, mas o silêncio engoliu a voz. A noite se arrastou em inferno cinzento e frio. Desespero de esperar, como cinzas caindo devagar. O passado voltou rasgando as bordas da memória. Você ficou de voltar, antes que a falta me comesse vivo. Antes que o ar rareasse, sufocando o último suspiro. Antes que o vazio se instalasse, eterno e sem fim. O sol voou rasante, bombardeando um coração exausto. Boca que extingue espécies, devagar, sem alarde. Mãos de acelerar partículas, mas tudo desacelera agora. Antenas para radioatividade, captando só barulho morto. Olhos de ler código de barras, frios como um supermercado vazio. Escaneando o que sobrou de nós, linhas sem cor. Se viver fosse sem você, que paz seria essa coisa alguma. Um alívio quieto, como chuva fina em janela embaçada. Mas não dá mais p...