Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: A Rota Já não percebo o chão sob meus pés; encontro-me suspenso na ausência da gravidade que antes me ancorava. O medo, sutil e estranho, instala-se silencioso, e, diante de mim mesmo, sou um estranho — um reflexo que não reconheço. Pelas ruas, vagueio sem direção, buscando um norte invisível, uma bússola interna que me guie. Contudo, a felicidade, discreta e silenciosa, sempre residiu em meu ser, mesmo quando parecia impossível. Nos momentos de silêncio absoluto, quando o mundo se reduz a uma esfera diminuta, os medos se diluem em sombras efêmeras, e a dor se transforma em um sussurro sereno, quase imperceptível. É impossível não sentir o pulsar da vida, impossível resistir à força inexorável do mar interior. Sou um enigma indecifrável, um mistério que se estende para além do tempo e do espaço. Mesmo assim, minha pouca fé, embora frágil, ergue-se inabalável. Meu amor, c...
Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Entre Mil Fés e um Coração Luciano acordou com o peso da solidão e uma inquietação que não cabia em palavras. Sempre sentira que não pertencia a nenhuma religião, e hoje queria caminhar pela cidade que chamavam de CIDADE DAS MIL FÉS, não para rezar, mas para entender por que outros precisavam acreditar. O primeiro passo o levou à velha igreja do centro. O sino soava, profundo e grave, e Luciano sentiu uma pontada de inveja silenciosa daqueles que se apoiavam em dogmas claros. Entrou sem querer, mas o calor da vela e o aroma de incenso penetraram em sua pele. Viu mulheres e homens ajoelhados, rezando com olhos fechados e corações expostos. Ele se sentiu estranhamente deslocado; não tinha fé, não tinha santos, não tinha rituais, apenas um vazio que insistia em ecoar. Na praça, o coral evangélico cantava alto, e a música se espalhava como luz. Luciano ouviu a energia coletiva e q...