Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: O Oceano Dentro da Sala A sala era comum à primeira vista. Paredes claras, silêncio doméstico, a luz entrando pela janela como qualquer outra tarde. Havia uma mesa encostada no canto, uma cadeira levemente fora do lugar, e o tipo de poeira que só existe quando o tempo passa sem pressa. Mas o chão, o chão não era mais chão. Ele havia se tornado água. Não de forma abrupta. Não havia ruptura, nem som de vidro quebrando. Era como se a realidade tivesse esquecido de manter sua própria definição ali dentro. A madeira, o cimento, tudo havia cedido a uma superfície líquida profunda — um oceano inteiro contido dentro de um espaço impossível. E ainda assim, a sala continuava sendo sala. A água não transbordava. Ela respeitava as bordas invisíveis do ambiente como se houvesse uma regra que ninguém explicou, mas que todos obedeciam. O oceano respirava em silêncio. Ondas suaves se mo...
Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: A Rota Já não percebo o chão sob meus pés; encontro-me suspenso na ausência da gravidade que antes me ancorava. O medo, sutil e estranho, instala-se silencioso, e, diante de mim mesmo, sou um estranho — um reflexo que não reconheço. Pelas ruas, vagueio sem direção, buscando um norte invisível, uma bússola interna que me guie. Contudo, a felicidade, discreta e silenciosa, sempre residiu em meu ser, mesmo quando parecia impossível. Nos momentos de silêncio absoluto, quando o mundo se reduz a uma esfera diminuta, os medos se diluem em sombras efêmeras, e a dor se transforma em um sussurro sereno, quase imperceptível. É impossível não sentir o pulsar da vida, impossível resistir à força inexorável do mar interior. Sou um enigma indecifrável, um mistério que se estende para além do tempo e do espaço. Mesmo assim, minha pouca fé, embora frágil, ergue-se irredutível. Meu amor, ...