Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: O Homem que Parou de Arquivar o Mundo Ele percebeu o começo da mudança no momento em que não conseguiu mais lembrar se estava lembrando ou apenas vivendo. Não foi um evento dramático. Não houve ruptura visível. Apenas uma leve hesitação interna, como se algo que sempre funcionou sozinho tivesse deixado de precisar de esforço para continuar funcionando — e, ao mesmo tempo, tivesse perdido a necessidade de ser percebido como funcionamento. Ele estava sentado perto da janela. A luz entrava do mesmo jeito que sempre entrou. Mas havia algo estranho na relação entre a luz e o que ele chamava de “percepção da luz”. Antes, havia dois gestos. Ver e saber que via. Agora parecia haver apenas um único movimento sem borda clara. Ele tentou nomear isso. “Concentração”, pensou. Mas a palavra não colou. Não porque estivesse errada — apenas porque chegou tarde demais. Ele levantou e foi até a ...
Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de falar sobre livros que li, mas não gostei. Vem conferir! LIVROS NACIONAIS QUE NÃO CURTI. Alguns livros da literatura brasileira contemporânea me exigiram mais do que atenção — exigiram resistência. Não foram exatamente lidos; foram suportados. Há obras que, ao invés de se abrirem ao leitor, parecem desafiá-lo a permanecer acordado, como se a literatura fosse um teste de paciência disfarçado de arte. São narrativas que se prometem profundas, mas mergulham em poças rasas, onde nuvens são descritas em parágrafos eternos e as metáforas botânicas brotam sem raiz, sem aroma, sem fruto. Personagens atravessam páginas inteiras sem pulsar — vivos apenas no papel, mortos no que importa. A sensação é a de folhear a bula de um calmante: o olho se estreita, o espírito se dispersa. Mas o leitor segue, por respeito, por teimosia ou por aquela estranha culpa de abandonar o que dizem ser "grande literatura". Alguns confund...