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Conto: O Dia em que o Céu Desceu

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: O Dia em que o Céu Desceu 1 Ninguém percebeu no início. Não porque não estava acontecendo. Mas porque parecia impossível. O céu estava mais claro. Não azul. Mais claro do que o azul deveria ser. Alguns disseram que era só o calor. Outros nem olharam. A vida continuou. Mensagens. Trânsito. Pequenas preocupações. Até que alguém percebeu. O sol não estava maior. Mas estava mais próximo. Não no espaço. Na sensação. Como se ocupasse mais do que deveria. E então veio o silêncio. Não externo. Interno. Como se, por um instante, todas as distrações tivessem perdido força. E ali — sem explicação — veio o reconhecimento. Não de morte. Mas de fim. Um fim que não seria evitado. E, pela primeira vez, ninguém tentou resolver. Não havia o que fazer. E isso quebrou algo profundo. Porque a humanidade sempre viveu com a ideia de tempo. Planos. Futuro. Continuidade. Mas agora — isso não existia m...

Poema: Melodia das Ruínas

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!




Poema: Melodia das Ruínas




A melodia ecoa, vem contar o que o tempo, cruel, ia perder.

Mistérios de além-mar a guiar, cidades que nasceram e fenecer.

Castelos no ar, de pedra e caos, não carne como o homem, nobre animal.

Muros sem fé, surdos ao vendaval, enquanto o vento assobia seu ritual.

Por ruínas destroçadas, o som vai dançar, dando lugar ao sonho de eternizar.

Velha canção repete sem cessar, para paredes que não vão escutar.

Carne humana, frágil e mortal, contra a pedra que resiste, mas vai ruir.

Babilônia afoga na maré fatal, e a voz insiste hora de abrir, de ouvir.

Uma janela surge no muro surdo, para o acordar que o tempo vai me chamar.

A melodia persiste, em reflexo profundo,

poucas chances restam para ousar.

A melodia ecoa, fraca e a chorar, contando o que o tempo devora sem fim.

Mistérios de além-mar, perdidos no ar, cidades que nasceram e sumiram no sim.

Castelos de fumaça, de pedra e silêncio frio, não carne como o homem, nobre e ferido.

Muros sem alma, sem fé, sem vazio, enquanto o vento uiva, esquecido e perdido.

Ruínas se curvam, o sonho apodrece,

eternidade falsa que o pó vai levar.

Canção velha geme, repete e enrubesce, para paredes surdas que nunca vão amar.

Carne humana, sangrenta e fugaz, contra a pedra imóvel que racha no breu.

Babilônia tomba no vendaval voraz, afogada na maré, sem adeus, sem adeus.

Uma janela? Talvez, no muro cego e mudo, mas o acordar vem tarde, em sombra sem cor.

A voz se desfaz no silêncio agudo, poucas chances e o nada a devorar.




É isso! Até a próxima!




Autoria: Luciano Otaciano 







Comentários

  1. Luciano como sempre uma linda poesia que fala ao nosso coração, Luciano desejo uma feliz quinta-feira bjs.

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    Respostas
    1. Oi, Lucimar! Valeu! Tenha uma ótima quinta-feira. Abraço!

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  2. Lu,
    Muitas vezes essa janela
    é a poesia que vive dentro da gente.
    O muro da vida pode até estar em
    ruinas, mas nós seguimos como
    seguem nossas palavras.
    Lindos versos.
    É sempre um ar novo vir ler aqui com
    você.
    Bjins
    CatiahôAlc.

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    Respostas
    1. Oi, Catiaho! É bem por aí amiga. De pleno acordo com sua visão. Um abraço!

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  3. Parabéns pela poesia. De uma profundidade incrível.

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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