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O Saber que Mora na Quietude

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! O Saber que Mora na Quietude  Fé, essa palavra que tantos pronunciam como quem decora uma senha para o céu, perdeu-se no ruído das certezas inventadas. Digo com o coração calmo; a verdadeira fé não está no acreditar — esse verbo que anda de mãos dadas com o medo —, mas no saber. Não no saber dos livros ou das cátedras, mas naquele que brota do silêncio que habita os corações que já se renderam. Não devemos esperar que tudo dê certo um dia. Isso é fé infantil, esperança com rodinhas. A fé madura sabe, simplesmente sabe, que tudo já está certo — ainda que nossos olhos insistam em enxergar bagunça, caos ou atraso. Esse saber não pede provas, nem precisa de plateia. Ele apenas é. Quieto, presente, firme como raiz de árvore grande e adulta. Veja bem, ou você sente Deus ou acredita em Deus. Os dois ao mesmo tempo, não dá liga. Quem acredita ainda precisa se convencer. Quem o sente ...

Conto: O Corpo que ainda Respira

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir!



Conto: O Corpo que ainda Respira



O corpo ainda respira, mas a alma se estira entre mundos. Sinto o frio da noite me envolver, não o frio do ar, mas o frio do espaço que não pertence a nenhum lugar conhecido. O abismo daquela noite voltou a pulsar na minha memória, mas agora, em vez de medo cego, sinto uma reverência tensa. Ele não é apenas horror; é portal.

Minha mão toca a mesa. Tato, calor, presença. Cada gesto físico me ancora na carne, mas minha mente flutua, e meus pensamentos ecoam por corredores que nenhum humano jamais percorreu. Ouço o chamado do invisível, como se a própria escuridão sussurrasse segredos que não podem ser ditos, apenas compreendidos. E eu compreendo — mesmo com o corpo, mesmo com a carne, mesmo com a lógica que me acompanha desde sempre, eu compreendo.

As sombras surgem, não para me atacar, mas para me testar. Cada forma sem contorno que se aproxima de mim é um reflexo do que temo em mim mesmo, uma vertigem do que é oculto, do que foi negado, do que o mundo insiste em não ver. Caminho entre elas, respirando, permitindo que minha carne sinta o toque frio da escuridão sem que eu me perca. E é aí que percebo; retornar não foi acaso, foi escolha — escolha do invisível para que eu carregasse algo de volta, algo que transcende dor e medo.

Sento-me no chão, descalço, e fecho os olhos. O espaço entre mundos se curva em espirais que só minha mente, híbrida de carne e espírito, consegue perceber. Há dor, há prazer, há curiosidade e há terror. Cada sensação me ensina que a vida na carne não é oposta ao espírito; ela é a forma que permite sentir o que o abismo revela. Sem o corpo, não haveria intensidade. Sem o espírito, não haveria significado.

Em meio à penumbra, sinto ecos de outras presenças — não humanas, não visíveis, mas tão reais quanto o sangue que corre em minhas veias. Uma delas se aproxima, não com ameaça, mas com algo que posso chamar de conhecimento ancestral, e sussurra a verdade que meu medo sempre negou: “Tu voltaste não para recordar o horror, mas para ensinar a viver o que o humano teme enfrentar.”

E então, como se a própria noite conspirasse a meu favor, sinto um toque que não é físico, mas real. Um calor que atravessa minha medula, me lembrando que o abismo não é inimigo, mas mestre. Ele me obriga a olhar o que muitos tentariam ignorar; a vastidão do eu, a verdade crua da existência, a beleza do horror. Compreendo, finalmente, que voltar não foi uma escolha minha. Foi a ordem silenciosa do universo. Que eu experimentasse o invisível para tornar o mundo mais tangível — não aos olhos, mas ao coração.

O corpo respira. A carne pulsa. A vida insiste em existir, e eu a abraço com cada fibra. Mas sei que o abismo continua, não distante, não alheio, mas em mim, um companheiro silencioso que me guia, que me mostra que a existência verdadeira é a que consegue transitar entre o visível e o invisível, entre medo e êxtase, entre carne e espírito.

Então, ao amanhecer, observo meu reflexo. Não sou inteiro apenas na carne, nem apenas no espírito; sou híbrido. E nesse estado, encontro uma liberdade que nenhum humano conhece. 

A liberdade de saber que posso tocar o abismo, e ainda assim, voltar à luz, trazendo comigo a consciência de mundos que outros jamais perceberão.

No silêncio do quarto, um último eco me atravessa — não mais ameaça, mas convite; viver intensamente cada momento, sentir cada dor, cada prazer, cada vertigem. Pois a vida verdadeira não está apenas em existir, mas em transitar, entre matéria e alma, entre o manifesto e o oculto, até que ambos se tornem um só nessa dança que chamamos de vida.




É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano

Comentários

  1. UAU, Otaciano! Profundidade em cada parágrafo desse belo conto! Enquanto o corpo ainda respira, a alma voa, sobrevoa, experimenta sensações... Muito lindo! Bela leitura oferecida! abraços, ótimo fds! chica

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    1. Oi, Chica! Muito obrigado querida! Que seu fim de semana seja de paz e alegria em seu coração. Um fraterno abraço!

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  2. Luciano bom dia, texto muito envolvente e profundo. A forma como você retrata o conflito entre o mundo físico e os mistérios da mente cria uma atmosfera intensa e reflexiva. A frase 'Ele não é apenas horror; é portal' é especialmente marcante, pois transforma o medo em uma oportunidade de autoconhecimento. Desejo uma ótima sexta-feira abraços.

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    1. Oi, Lucimar! Bom dia! Muito obrigado pelo comentário por aqui. Alegra-me muito saber que você tenha gostado do que leu. Que sua sexta-feira juntamente do fim de semana seja maravilhoso. Um fraterno abraço querida.

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  3. Um conto repleto de reflexões a que a vida nos obriga nos seu desenrolar diário.
    Bom fim de semana.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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    1. Oi, Juvenal! Muito obrigado pela visita e comentário. Bom fim de semana pra ti também. Um abraço!

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  4. Respostas
    1. Oi, Teresa! Muito obrigado. Bom fim de semana pra você. Um fraterno abraço!

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  5. Belo conto. Gostei bastante.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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    1. Muito obrigado amigo Emerson. Boa semana pra ti também. Um abraço!

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  6. Belo trabalho, Luciano! E ainda mais notável porque é muito difícil captar tão bem essa dualidade espírito/corpo, que nos faz tocar o céu, e experimentar a atração do abismo! Meu abraço, boa semana.

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    1. Muito obrigado amigo Árabe! Que sua semana seja abençoada e de paz. Um abraço!

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  7. Olá Luciano, que texto maravilhoso! sou sua fã...kk abraços!

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    1. Oi, Ana Lucia! Muito obrigado! Você também escreve impecavelmente. Admiro seu trabalho lá em seu blog. Um fraterno abraço!

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