Pular para o conteúdo principal

Abismo de Mim

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! Abismo de Mim  Senti a noite engolir minha carne e minha mente, como se o mundo tivesse se dissolvido ao redor e restasse apenas eu, nu em meus desejos e em minhas sombras. Cada respiração queimava, cada batida do coração ecoava como um tambor da ancestralidade chamando para o que eu sempre soube existir dentro de mim.  A fome absoluta da carne, a avidez do ser, a sede de sentir cada pedaço do que sou sem máscaras, sem regras. Olhei para o espelho da minh' alma e me encarei. Ninguém mais ali, só eu, tão inteiro e ao mesmo tempo despedaçado. Minhas mãos tremiam de ansiedade e de poder, ansiosas por tocar, por explorar, por consumir. E quando a primeira centelha do prazer me percorreu, não havia culpa, não havia limites — apenas o calor do meu próprio desejo ardente, incendiando cada nervo, cada vértebra, cada sombra que já me atormentou. No silêncio da noite, ouvi ecos — ...

Abismo de Mim

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir!




Abismo de Mim 




Senti a noite engolir minha carne e minha mente, como se o mundo tivesse se dissolvido ao redor e restasse apenas eu, nu em meus desejos e em minhas sombras. Cada respiração queimava, cada batida do coração ecoava como um tambor da ancestralidade chamando para o que eu sempre soube existir dentro de mim. 

A fome absoluta da carne, a avidez do ser, a sede de sentir cada pedaço do que sou sem máscaras, sem regras.

Olhei para o espelho da minh' alma e me encarei. Ninguém mais ali, só eu, tão inteiro e ao mesmo tempo despedaçado. Minhas mãos tremiam de ansiedade e de poder, ansiosas por tocar, por explorar, por consumir. E quando a primeira centelha do prazer me percorreu, não havia culpa, não havia limites — apenas o calor do meu próprio desejo ardente, incendiando cada nervo, cada vértebra, cada sombra que já me atormentou. No silêncio da noite, ouvi ecos — vozes secundárias, sombras de outros corpos que nunca tocarão a minha carne, mas que me observavam, me provocavam, me testavam. Senti o arrepio de ser desejado e ao mesmo tempo intocado, a tensão de existir na fronteira entre o prazer e a solidão absoluta. E ali, entre o caos e a entrega, compreendi. Não há fuga da própria essência. Todo desejo, toda dor, toda impetuosidade é minha. A carne não engana, o corpo não mente, e a mente finalmente se rende. O que restava era apenas a verdade crua de quem sou.  Inteiro, intenso, irrevogável. Quando a noite cedeu à aurora, percebi que nada havia mudado, e ao mesmo tempo tudo estava diferente. Eu ainda existia, faminto, ardente, insaciável, mas mais consciente de minha própria luz e de minhas trevas. E sorri, porque, apesar de tudo, estava pronto para seguir, para viver e sentir cada instante como se fosse o último, sabendo que a minha história não termina aqui. O abismo ainda me chama, e eu, livre e completo em minha gula, atenderei.




É isso! Até a próxima!




Autoria: Luciano Otaciano 

Comentários

  1. Luciano bom dia, o poema nos faz pensar sobre o mergulho no próprio eu, precisamos encarar quem somos sem máscaras, Luciano desejo uma ótima semana abraços.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog