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O Segurança e o Calabouço

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! O Segurança e o Calabouço No princípio, chamaram de prisão aquilo que era apenas forma. E chamaram de déspota aquele que apenas segurava o mundo para que não se desfizesse. O Criador nasceu quando o limite esqueceu o Céu. Saturno, quando lembrado, nunca negou o invisível — apenas disse que ele pesa. O erro não foi criar a matéria. O erro foi dizer que não havia mais nada além dela. Por isso tantos confundem o tempo com sentença, o corpo com castigo, o mundo com armadilha. Mas o guardião não fecha a porta. Ele apenas exige que se atravesse devagar. Saturno não pune — amadurece. O Criador não ensina — aprisiona. Um diz: “Tudo tem custo.” O outro diz: “Não há saída.” E o espírito, cansado de fugir, aprende enfim; não é preciso destruir o mundo para lembrar do infinito. Basta não esquecer quem se é enquanto se habita o limite. O peso não é a queda. É o chão. E quem suporta o tempo sem...

Abismo de Mim

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir!




Abismo de Mim 




Senti a noite engolir minha carne e minha mente, como se o mundo tivesse se dissolvido ao redor e restasse apenas eu, nu em meus desejos e em minhas sombras. Cada respiração queimava, cada batida do coração ecoava como um tambor da ancestralidade chamando para o que eu sempre soube existir dentro de mim. 

A fome absoluta da carne, a avidez do ser, a sede de sentir cada pedaço do que sou sem máscaras, sem regras.

Olhei para o espelho da minh' alma e me encarei. Ninguém mais ali, só eu, tão inteiro e ao mesmo tempo despedaçado. Minhas mãos tremiam de ansiedade e de poder, ansiosas por tocar, por explorar, por consumir. E quando a primeira centelha do prazer me percorreu, não havia culpa, não havia limites — apenas o calor do meu próprio desejo ardente, incendiando cada nervo, cada vértebra, cada sombra que já me atormentou. No silêncio da noite, ouvi ecos — vozes secundárias, sombras de outros corpos que nunca tocarão a minha carne, mas que me observavam, me provocavam, me testavam. Senti o arrepio de ser desejado e ao mesmo tempo intocado, a tensão de existir na fronteira entre o prazer e a solidão absoluta. E ali, entre o caos e a entrega, compreendi. Não há fuga da própria essência. Todo desejo, toda dor, toda impetuosidade é minha. A carne não engana, o corpo não mente, e a mente finalmente se rende. O que restava era apenas a verdade crua de quem sou.  Inteiro, intenso, irrevogável. Quando a noite cedeu à aurora, percebi que nada havia mudado, e ao mesmo tempo tudo estava diferente. Eu ainda existia, faminto, ardente, insaciável, mas mais consciente de minha própria luz e de minhas trevas. E sorri, porque, apesar de tudo, estava pronto para seguir, para viver e sentir cada instante como se fosse o último, sabendo que a minha história não termina aqui. O abismo ainda me chama, e eu, livre e completo em minha gula, atenderei.




É isso! Até a próxima!




Autoria: Luciano Otaciano 

Comentários

  1. Luciano bom dia, o poema nos faz pensar sobre o mergulho no próprio eu, precisamos encarar quem somos sem máscaras, Luciano desejo uma ótima semana abraços.

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    1. Oi, Lucimar! Bom dia! É bem por aí mesmo. Pra você uma ótima semana também. Um fraterno abraço!

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  2. Verdade, Luciano: às vezes, nos sentimos assim. E como você descreveu bem esse sentimento, amigo! Meu abraço, boa semana.

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    1. Sim às vezes acontece isso mesmo. Boa semana pra ti também meu amigo. Um abraço!

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  3. De uma profundidade sem tamanho. Gostei bastante!

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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  4. Lu,
    Ler suas reflexões me fa
    sempre muito bem.
    Ainda estou saboreando texto
    a texto seu livro Reflexões;
    e essa publicação me levou
    até minha leitura
    diária desses ultimos
    tempo que é nele.
    Gratidão por sua sabedoria
    em forma de palavras.
    Bjins
    CatiahôAlc.

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    1. Oi, Catiahô! Muito obrigado pelo seu carinho com meu trabalho amiga. Pra mim é uma alegria e satisfação imensa saber que você está saboreando cada texto de meu livro REFLEXÕES DE VIDA. Pra ti uma semana de paz e abençoada de alegria querida. Um fraterno abraço!

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  5. Olá, Luciano, texto forte e poderoso adorei...abraços!

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    1. Oi, Ana Lucia! Obrigado por sua presença e comentário por aqui. Que bom que você tenha gostado, apesar de achá-lo forte. Um fraterno abraço querida.

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  6. Um pedido de socorro.
    Um grito.
    Grito de independência moral.
    Desvencilhamento de si mesmo.
    Um texto desequilibrante.

    Parabéns amigo.

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  7. Oi, Luciano. Tudo bem? Às vezes olhamos o abismo e ele nos olha de volta, né? Mergulhar na gente mesmo sem medos é uma aventura para quem tem coragem, mas a recompensa é enorme.

    Tenha uma boa semana!
    Até breve;

    Helaina (Escritora||Blogueira)
    https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
    https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)

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    Respostas
    1. Oi, Helaina! Estou bem! É bem por aí mesmo. Obrigado por sua presença e pelo seu comentário por aqui. Boa semana pra ti também. Um fraterno abraço querida.

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  8. Belas palavras!

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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