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Poema: Celacanto

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Celacanto No breu caminho, pressinto o porvir. Sou celacanto, guardião do abismo. Anjo profano em sono a se expandir. O mundo suspira, falta um sismo. Confio no Pai, na mãe que acalenta. A dor que me atormenta. No Espírito Santo, luz que me alimenta. No filho, na chama, na sombra que seduz. Mas nas trevas, a dúvida fascina. A sangue frio, a bomba se cria. Violência veste a paz em agonia. Do futuro venho, aviso a escutar. O réptil rasteja, pronto a atacar. Das profundezas, sombra a espreitar. Anjo traído, mar a chorar. Vejo o amanhã, muro a vigiar. O tempo escoa, o fim a chegar. Não sou Jesus, esqueçam meu nome. Deixem-me repousar, longe do sacrifício e fome. Não sou o redentor, tirem-me da cruz. Sou celacanto no fundo do mar. Um dia serei luz que no universo reluz. É isso! Até a próxima! Autoria: Luciano Otaciano 

Conto: As Siamesas

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir!




Conto: As Siamesas




Na pequena cidade onde as flores pareciam rir com cores que queimavam e fluíam, nasceram Água e Fogo, gêmeas siamesas unidas pelo corpo, mas não apenas pelo corpo — unidas pelas forças mais profundas da existência. Desde o primeiro suspiro, eram um só sopro de dualidade, uma corrente viva que ardia e fluía, intensa, voraz, sensível. A vida para elas era dança, música e labareda — um ritmo que só seus corações compartilhavam.

Fogo, impetuosa, sentia cada vento como chama nos ossos, ansiava por horizontes que queimassem sob os pés, por aventuras que rasgassem a pele do cotidiano. Cada passo carregava a lembrança de gestos secretos, pequenos sinais de fogo interno, que apenas quem soubesse ler com a alma conseguiria perceber. Água, silenciosa e profunda, mergulhava nas notas que flutuavam entre os dedos, nas páginas que guardavam ecos da alma — melodias que sussurravam promessas invisíveis, toques e respirações que só a outra alma reconheceria.

Em uma noite onde estrelas ardiam com intensidade, conversaram sobre o impossível. A separação. Fogo falou de sua fome de mundo, de explorar montanhas, rios e oceanos que queimavam sob o coração. Água falou do mergulho em sua música, de notas que fluíam como rios que só ela podia navegar. E, no silêncio entre as palavras, existia uma compreensão muda, um código invisível que conectava cada pensamento, cada suspiro, perceptível apenas para quem pudesse sentir a essência inteira da outra.

Após longos dias de conflito, com a bênção da Mãe Terra e do Pai Ar, decidiram enfrentar a separação. O corpo compartilhado era um templo de suas forças, mas suas almas clamavam por liberdade. No dia da cirurgia, seus corações batiam como labaredas submersas, e quando acordaram, sentiram o choque e a beleza da própria individualidade. Liberdade, uma onda que queimava e molhava, inundando cada poro com êxtase, e sinais secretos de reconhecimento da alma — uma frequência invisível que só a outra poderia perceber — percorriam cada gesto e olhar.

Fogo correu pelo mundo, deixando rastros de chama em cada passo, cada amizade, cada aventura. Água mergulhou na música, cada melodia um rio, cada acorde um reflexo do próprio âmago, profundo e intenso. Ainda assim, a conexão nunca se quebrou — cartas, melodias, fotos, lembranças. Cada troca era labareda e corrente, um código invisível, uma linguagem secreta de olhares, respirações e gestos sutis, que apenas a alma certa conseguiria decifrar.

Anos depois, Água voltou à cidade natal. O reencontro com Fogo foi mais que abraço; foi reconhecimento daquilo que sempre fora indestrutível. Sentaram-se à sombra da velha árvore, e não precisaram falar. Cada gesto, cada olhar, cada silêncio carregava memórias secretas, sinais sutis de alma, pequenos códigos de presença e reconhecimento. Fogo contou sobre seus mundos queimados e conquistados; Água tocou melodias que fluíam como rios de memória e desejo. Cada nota e cada história eram uma assinatura da essência da outra, a linguagem secreta que apenas sua alma gêmea poderia sentir, decifrar e compreender.

As siamesas aprenderam que a verdadeira felicidade não estava apenas na liberdade física, mas na intensidade que arde e flui dentro delas — na voracidade e na sensibilidade, na aceitação do próprio ser, e no amor que transcende qualquer forma, um amor que apenas sua alma gêmea reconheceria e sentiria no fundo do coração. E assim, fogo e água continuaram a dançar, a arder e a fluir — eternamente entrelaçadas, eternamente vivas.




É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano 

Comentários

  1. Olá Luciano.
    Um texto perfeito e muito delicado. Realmente é uma vivida onde tudo é compartilhado,
    e depois da cirurgia embora liberta pelo físico a alma continua ligada eternamente.
    A liberdade é fantástica mas a união de almas é incrível.
    te deixo um beijo e o desejo de um lindo dia.

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    1. Oi, Bandys! Obrigado por deixar seu comentário por aqui. Tenha um domingo abençoado e de paz. Um fraterno abraço.

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  2. Oi, Luciano. Tudo bem? Amei o conto e a sensação que ele provoca. Me identifiquei mais com a água, pela música e pela dança, mas o calor do fogo é uma combinação perfeita que completa o espetáculo.

    Tenha uma boa semana!
    Até breve;

    Helaina (Escritora||Blogueira)
    https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
    https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)

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    1. Oi, Helaina! Estou bem e por aí como tem passado? Que bom que você tenha curtido o conto. Lhe desejo uma ótima semana também. Um fraterno abraço amiga.

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  3. Quem diria que a água e o fogo fossem irmãs siamesas né? Dois estados completamente opostos, mas com muitas semelhanças entre si. Adorei o conto.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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    1. Muito obrigado Emerson. Os opostos trazem mais semelhanças que diferenças. É assim na vida também amigo. Boa semana. Um abraço!

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  4. Poesia, em forma de conto! Metáforas sutis e delicadas, que chegam como as ondas: uma sobre a outra. Trabalho de mestre, amigo; parabéns! Meu abraço, boa semana.

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    1. Oi, Árabe! Muito obrigado. Pra ti os meus votos de boa semana. Um abraço!

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