Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!
Poema: A Rota
Já não percebo o chão sob meus pés; encontro-me suspenso na ausência da gravidade que antes me ancorava.
O medo, sutil e estranho, instala-se silencioso, e, diante de mim mesmo, sou um estranho — um reflexo que não reconheço.
Pelas ruas, vagueio sem direção, buscando um norte invisível, uma bússola interna que me guie. Contudo, a felicidade, discreta e silenciosa, sempre residiu em meu ser, mesmo quando parecia impossível.
Nos momentos de silêncio absoluto, quando o mundo se reduz a uma esfera diminuta, os medos se diluem em sombras efêmeras, e a dor se transforma em um sussurro sereno, quase imperceptível.
É impossível não sentir o pulsar da vida, impossível resistir à força inexorável do mar interior. Sou um enigma indecifrável, um mistério que se estende para além do tempo e do espaço.
Mesmo assim, minha pouca fé, embora frágil, ergue-se inabalável. Meu amor, chama constante, jamais se apaga.
Na vastidão do vazio e do tempo, minha alma se expande e se propaga.
Agora, firme, sinto o chão sob meus pés e reconheço o porto seguro do coração.
Lá fora, a solidão dança fria, mas aqui dentro arde o calor da companhia.
Atravessei a noite escura, cruzei desertos interiores, guiado pelo compasso aberto do meu peito. Na ausência da gravidade, encontrei o espaço para me permitir ser.
Quando o desespero quase me alcança, lembro que sentir é o único caminho verdadeiro. Resistir é um sonho vão; ser quem sou é minha canção eterna.
Indecifrável para os olhos alheios, sou o mistério que o vento sussurrou.
É isso! Até a próxima!
Autoria: Luciano Otaciano
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