Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir!
O Segurança e o Calabouço
No princípio, chamaram de prisão aquilo que era apenas forma.
E chamaram de déspota aquele que apenas segurava o mundo para que não se desfizesse.
O Criador nasceu quando o limite esqueceu o Céu.
Saturno, quando lembrado, nunca negou o invisível — apenas disse que ele pesa.
O erro não foi criar a matéria.
O erro foi dizer que não havia mais nada além dela.
Por isso tantos confundem o tempo com sentença, o corpo com castigo, o mundo com armadilha.
Mas o guardião não fecha a porta.
Ele apenas exige que se atravesse devagar.
Saturno não pune — amadurece.
O Criador não ensina — aprisiona.
Um diz:
“Tudo tem custo.”
O outro diz:
“Não há saída.”
E o espírito, cansado de fugir, aprende enfim; não é preciso destruir o mundo para lembrar do infinito.
Basta não esquecer quem se é enquanto se habita o limite.
O peso não é a queda.
É o chão.
E quem suporta o tempo
sem renunciar ao mistério não se liberta da matéria — a atravessa.
Eu não vim para carregar o mundo.
Vim para estar presente nele.
Nem tudo que percebo me pertence.
Algumas verdades apenas passam por mim como o vento passa pela janela aberta.
Posso ver sem segurar.
Sentir sem sustentar.
Compreender sem me ferir.
O descanso não é fuga.
É o lugar onde a lucidez aprende a respirar.
Aceito meus limites não como derrota, mas como forma humana de existir.
O mundo não precisa do meu peso.
Precisa apenas que eu esteja inteiro
onde meus pés tocam o chão.
E isso basta.
É isso! Até a próxima!
Autoria: Luciano Otaciano
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