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Conto: Amnesia

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Amnesia No início, nada parecia fora do lugar. As cidades continuavam a respirar em ritmos previsíveis, as pessoas atravessavam os mesmos caminhos, e o tempo — ao menos aparentemente — seguia sua sequência intacta. Ele não saberia dizer quando começou. Não houve evento. Nenhuma ruptura. Nenhum instante que pudesse ser apontado como origem. Apenas uma pequena falha. Quase imperceptível. A primeira vez foi enquanto observava uma xícara sobre a mesa. Nada de incomum — exceto pela sensação de que já havia olhado para ela não uma vez, mas inúmeras vezes naquele mesmo momento. Não como lembrança. Mas como repetição sem intervalo. Ele piscou. A sensação cessou. A xícara permaneceu. Nos dias seguintes, algo semelhante começou a acontecer com mais frequência. Conversas que pareciam já ter ocorrido — não no passado, mas ali mesmo, ainda em andamento. Passos que pareciam se completar ant...

Conto: A Metrópole

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir!




Conto: A Metrópole 



A cidade rugia como um animal faminto. Prédios subiam ao céu feito dentes, carros cuspiam pressa pelas ruas, e dentro do concreto, milhares de corpos se esbarravam sem jamais se tocar de verdade.

Gabriel atravessava essa selva de vidro e fumaça com passos firmes, mas o coração em ruínas. Jovem arquiteto, erguia estruturas para o futuro e, ainda assim, nada sustentava o vazio que o corroía por dentro. Entre reuniões, projetos e noites regadas a taças vazias de companhia, a solidão o espreitava como sombra silenciosa.

Alice vagava pela mesma metrópole, mas com outra fome. Não a do sucesso, mas a da palavra. Escrava dos cadernos, escrevia personagens que respiravam melhor que ela própria. Sua vida amorosa era uma página em branco — e cada esquina da cidade parecia um eco da ausência que habitava nela.

Numa tarde encharcada de chuva, dois destinos colidiram. Gabriel, apressado, derrubou sobre o asfalto os livros que Alice carregava junto ao peito. Ao ajoelhar-se para recolhê-los, seus olhos se encontraram. Não houve explosão, não houve música: apenas silêncio. Um silêncio tão denso que a cidade inteira pareceu suspender o fôlego.

Nos olhos de Alice, Gabriel viu um porto que desconhecia; ternura crua, uma promessa de refúgio. Nos lábios de Gabriel, Alice pressentiu uma ternura febril, quase perigosa, que a chamava para dentro do abismo de um outro ser. Era como reconhecer um rosto antiquado no meio da multidão, como se metade da alma perdida tivesse voltado para reclamar lugar.

Vieram então os encontros. Cafés esquecidos, conversas que atravessavam madrugadas, silêncios compartilhados no meio do barulho insano da metrópole. A cidade não os engolia mais: tornara-se cúmplice, testemunha muda de uma história improvável.

E mesmo quando o caos urbano tentava separá-los — compromissos, desencontros, medos — havia algo maior que os trazia de volta: uma força subterrânea, como raízes crescendo sob o asfalto. Aprenderam que o amor verdadeiro não é feito de promessas fáceis, mas de cicatrizes que se aceitam, de ruínas que se compartilham.

A metrópole, de repente, florescia. No meio do concreto, uma flor incomum  desabrochava. E ainda que o mundo inteiro seguisse alheio, eles sabiam. 

O encontro dos dois não era obra do acaso, mas de um destino paciente que esperou pelo instante exato em que duas solidões se reconheceriam.

Assim, Gabriel e Alice escreveram, com passos, beijos e muito sexo, uma história que a própria cidade guardaria em seus muros e avenidas; a prova de que, mesmo onde tudo é pressa e barulho, o amor pode nascer como silêncio e se tornar algo imperecível.




É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano 

Comentários

  1. Que conto lindo.
    Gostei demais. Apesar do barulho do dia a dia se prestarmos atenção podemos encontrar e viver muitas coisas.
    Abraços.


    www.parafraseandocomvanessa.com.br

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    Respostas
    1. Oi, Vanessa! Muito obrigado por deixar seu comentário por aqui. Um fraterno abraço!

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  2. Oi Luciano, tudo bem?
    Adorei essa história de amor que nasce no meio do improvável: a correria implacável da cidade grande.
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    Respostas
    1. Oi, Priscila! Estou bem e você? Que bom que o curto conto tenha lhe agradado. Um abraço querida.

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  3. ola Luciano,
    Quando o universo conspira,
    tudo da certo. Adorei seu texto.
    feliz final de semana. ♣

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    Respostas
    1. Oi, Bandys! Sim com certeza. Pra ti um feliz final de semana abençoado. Um fraterno abraço!

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  4. Belo conto! Parabéns.

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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