Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir!
Conto: A Metrópole
A cidade rugia como um animal faminto. Prédios subiam ao céu feito dentes, carros cuspiam pressa pelas ruas, e dentro do concreto, milhares de corpos se esbarravam sem jamais se tocar de verdade.
Gabriel atravessava essa selva de vidro e fumaça com passos firmes, mas o coração em ruínas. Jovem arquiteto, erguia estruturas para o futuro e, ainda assim, nada sustentava o vazio que o corroía por dentro. Entre reuniões, projetos e noites regadas a taças vazias de companhia, a solidão o espreitava como sombra silenciosa.
Alice vagava pela mesma metrópole, mas com outra fome. Não a do sucesso, mas a da palavra. Escrava dos cadernos, escrevia personagens que respiravam melhor que ela própria. Sua vida amorosa era uma página em branco — e cada esquina da cidade parecia um eco da ausência que habitava nela.
Numa tarde encharcada de chuva, dois destinos colidiram. Gabriel, apressado, derrubou sobre o asfalto os livros que Alice carregava junto ao peito. Ao ajoelhar-se para recolhê-los, seus olhos se encontraram. Não houve explosão, não houve música: apenas silêncio. Um silêncio tão denso que a cidade inteira pareceu suspender o fôlego.
Nos olhos de Alice, Gabriel viu um porto que desconhecia; ternura crua, uma promessa de refúgio. Nos lábios de Gabriel, Alice pressentiu uma ternura febril, quase perigosa, que a chamava para dentro do abismo de um outro ser. Era como reconhecer um rosto antiquado no meio da multidão, como se metade da alma perdida tivesse voltado para reclamar lugar.
Vieram então os encontros. Cafés esquecidos, conversas que atravessavam madrugadas, silêncios compartilhados no meio do barulho insano da metrópole. A cidade não os engolia mais: tornara-se cúmplice, testemunha muda de uma história improvável.
E mesmo quando o caos urbano tentava separá-los — compromissos, desencontros, medos — havia algo maior que os trazia de volta: uma força subterrânea, como raízes crescendo sob o asfalto. Aprenderam que o amor verdadeiro não é feito de promessas fáceis, mas de cicatrizes que se aceitam, de ruínas que se compartilham.
A metrópole, de repente, florescia. No meio do concreto, uma flor incomum desabrochava. E ainda que o mundo inteiro seguisse alheio, eles sabiam.
O encontro dos dois não era obra do acaso, mas de um destino paciente que esperou pelo instante exato em que duas solidões se reconheceriam.
Assim, Gabriel e Alice escreveram, com passos, beijos e muito sexo, uma história que a própria cidade guardaria em seus muros e avenidas; a prova de que, mesmo onde tudo é pressa e barulho, o amor pode nascer como silêncio e se tornar algo imperecível.
É isso! Até a próxima!
Autoria: Luciano Otaciano
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