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Conto: Entre Mundos

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Entre Mundos 1 O vento não se curvava ao tempo ali. Ele soprava através de corredores que não pertenciam a lugar algum, misturando o cheiro de terra úmida com a lembrança de flores que nunca floresceram. Luciano caminhava com passos lentos, sentindo cada pedra sob seus pés como se fossem ossos antigos, memória de vidas que não lembrava ter vivido. À sua frente, uma figura feminina pairava entre a penumbra e a luz — seus cabelos eram como fios de névoa, e os olhos, profundos, continham a mesma densidade do céu antes do amanhecer. Ela sorriu, e o ar tremeu.  — Você veio mais rápido do que esperava, disse, a voz um eco que parecia atravessar não apenas o corredor, mas as próprias veias de Luciano. Ele estendeu a mão, mas hesitou. Sentiu que tocar nela seria tocar algo que não pertencia ao mundo que conhecia. E, ainda assim, cada fibra de seu corpo implorava por conexão. 2 Lu...

Multidão Contemporânea Descaracterizada

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir!



Multidão Contemporânea Descaracterizada 



Qual é o seu temor? De não se sentir parte deste vasto rebanho ao qual você se habituou a seguir, aguardando o retorno e a validação que lhe são tão caros? O desejo de pertencimento é uma inclinação natural da espécie humana. Contudo, a dependência não emana da essência, mas do temor. Uma condição do ego que se limita a si mesma na busca pela aceitação, aprisionando-se na aparência de algo que não reflete sua verdadeira natureza. Assim, uma falsa identidade se ergue, criada para evitar a invisibilidade. Pergunte a si mesmo. Isso está me moldando em um ser mais autêntico e verdadeiro? Ou está me distanciando da legitimidade da minha alma? A sociedade impõe os critérios do que será aceito e o que será relegado ao exílio. Essa dinâmica de exclusão e isolamento gera um sofrimento profundo.

Remete-nos a tempos ancestrais, em que a aceitação pelo clã era sinônimo de sobrevivência, enquanto a rejeição ou o isolamento se configuravam como a morte. Você se sente excluído? Ou já experimentou a sensação de estar à margem, em algum momento?

Mas à margem de quê? Da vida? Do amor? Da possibilidade de sentir que realmente pertence? Rejeição e exclusão. A ausência de acolhimento em sua singularidade faz com que você se sinta quase etéreo?  Não caia na armadilha da inação ou da omissão por conta do temor ao julgamento. A sociedade contemporânea é repleta de ecos inexpressivos, seres destituídos de voz própria, sem identidade verdadeira, apenas procurando proteger-se da marca ancestral da invisibilidade. E, paradoxalmente, quanto mais você se esforça para agradar, imitando o que o cerca, mais se torna apenas mais do mesmo, menos verdadeiramente aceito. Um paradoxo intrigante; enquanto a conformidade parece nos integrar, também nos dissolve em uma multidão descaracterizada, não é verdade?



É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano

Comentários

  1. Luciano bom dia,, texto muito reflexivo e necessário, a busca pela aceitação muitas vezes nos afasta de quem realmente somos. Parabéns pela profundidade e pela mensagem inspiradora.

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    1. Oi, Lucimar! Bom dia! É bem por aí mesmo. Muito obrigado por comentar por aqui. Um abraço fraterno

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  2. Luciano, meu amigo, bom dia! Belo texto e necessária reflexão.

    Já saboreei da rejeição em alguns momentos da vida, e confesso que, embora tenha trazido sofrimento, trouxe também uma espécie de orgulho silencioso. Com o tempo, percebi que nem toda exclusão é perda; às vezes ela nos devolve a nós mesmos, longe das expectativas e dos moldes que não nos pertencem. Há dores que nos diminuem, mas há outras que revelam nossa singularidade. Talvez a verdadeira aceitação não venha do rebanho, mas da coragem de permanecer fiel à própria essência, mesmo quando isso nos coloca à margem.

    Gratidão por compartilhar uma reflexão tão profunda.
    Abraços fraternos,
    Daniel

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    1. Oi, Daniel! Bom dia! Seu comentário tão preciso é um complemento da reflexão meu amigo. É bem assim mesmo como você bem mencionou. A rejeição ensina também. Muito obrigado por comentar por aqui. Um abraço!

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  3. O ser humano precisa viver em sociedade. E isso é assim, como você bem explanou, desde os primórdios, quando o isolamento significa uma provável ruptura da existência.
    A questão é que a própria comunicação e o raciocínio lógico, o que diferencia o homem de outros animais, colocam as pessoas em atritos umas com as outras, promovendo dissabores e até ocorrências graves, fazendo com que o afastamento se dê.
    Primo pelo equilíbrio. Aprender a se bastar, a ter autonomia, mas não cortar o elo com a sociedade. Ter consciência de ser peça em uma engrenagem e, ao mesmo tempo, preservar-se.
    É difícil esse equilíbrio, mas este é o ônus da inteligência dada à humanidade. Não há meios de desprezar isso.

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    1. Oi, Fabiano! Perfeito seu comentário. O difícil é encontrar esse caminho de equilíbrio, mas esse é o caminho que devemos percorrer e encontrá-lo. Muito obrigado pelo seu comentário por aqui meu caro. Um abraço!

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  4. Oi, Luciano. Tudo bem? Que reflexão, amigo! Como qualquer ser humano eu tenho o desejo de pertencer, mas de uns tempos para cá tenho refletido muito sobre o quanto de 'eu' ainda existe nessa busca em me adequar que não resulta em pertencimento. E como essa estratégia não tem gerados bons resultados, mas sim desconforto, estou começando a deixar a performance apenas para os palcos e ser no dia a dia tão 'eu' quanto possível. Não tem sido mal, mas às vezes eu passo vergonha e dou risada de mim mesma! XD

    Tenha uma boa semana!
    Até breve;

    Helaina (Escritora || Blogueira)
    https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
    https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)

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    1. Oi, Helaina! Estou bem e você? Que bom que você tenha gostado da reflexão amiga. Você está certíssima ao utilizar o bom humor em situações como a que você descreveu. Boa semana pra ti também. Um fraterno abraço querida.

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  5. Olá, Luciano!
    Grande texto e reflexão você nos trouxe, atualmente nesse mundo digital estamos em constante comparação com outras pessoas, ou até mesmo evitando contato social para não gerar conflitos, não julgo as pessoas por fazerem isso, cada ação gera uma reação. Mas realmente nos colocamos em uma caixa e fica difícil sair dela...

    Já estou seguindo o blog!
    Abraços.
    www.isagoeswitheflow.blogspot.com

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    1. Oi, Isabela! Muito obrigado por seu comentário por aqui. Estarei a lhe seguir também. Um abraço fraterno!

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  6. Bela e importante reflexão. Gostei bastante.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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