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Conto: Ester, suas duas Filhas e Anastácio

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Ester, suas duas Filhas e Anastácio   I Esqueceste, não foi? Esqueceste que sou tua mulher. Pois então, assenta esse corpo fatigado e encara, com os olhos bem abertos, a sentença que te cabe. Sou aquela com quem tu selaste pacto diante do altar de uma igrejinha simplória— onde o amor, idiota e esperançoso, ainda ousava se vestir de domingo. Eu, a que suportou tua ausência mesmo quando estavas presente; teus silêncios que transbordavam desculpas mal paridas; tua falta de norte disfarçada em pose de artista incompreendido. E agora, agora ousas tratar-me como sombra incômoda presa na sola de teus sapatos gastos — sombra que arrastas pelas calçadas da tua fuga. Sim, tua fuga. Covarde, silenciosa, disfarçada de liberdade. Tu, rodeado por essa fauna esnobe de cabeças ocas que sorvem café frio enquanto discutem Nietzsche como se mastigassem o próprio céu. Tu, sempre tu; ten...

Poema: Prece da Noite e do Vento

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!




Poema: Prece da Noite e do Vento





Se cai a noite, tudo flui — me leva o vento. Onde ele quiser.

Lua, minha guia silente.

Me conduz até o sol renascer.

Louco, sim, mas não marginal.

Faço muito com pouco, sou essencial.

Louco, todo mundo tem um pouco.

Eu carrego quase cem no meu troco.

Sem entorpecer, nasci apressado.

Sete meses, um ser acelerado.

Mais um comum, mas essa noite é louca.

Quero nascer de novo, alma pouca.

Do sereno sou, o que a noite traz?

Mulheres, histórias, ressacas e paz.

Do orvalho sou, o que a noite dá?

Perigos, loucuras, vergonhas, sei lá.

Se jogar é viver, celebrar, só lazer.

Meu caminho a noite sabe guiar.

Somos nós outra vez, no ar a voar.

Na madrugada, o efeito a pulsar.

Se a madrugada obtém o melhor de mim.

Estou na fé que me ilumina assim.

Tenho o tempo, meu aliado fiel.

Saio só quando o sol abrir o céu.

Madruga me chama, já sei.

Portas se abrem onde eu estiver.

Só quem sabe chegar.

Eu sou o que sou.

RG rasgado. 

Juízo que voou.

Quem não se aventurar, se complicou.

Enquanto dormem, algo brotou.

O mundo acorda quando a gente quer dormir.

Pra vida brindar, champagne a subir.

O caminho aberto, a trilha a seguir.

Vida passa, não vou me iludir.

Se jogar é viver, celebrar, só lazer.

Meu caminho só a noite pode guiar.

Lá vou eu outra vez, no ar a brilhar.

Se cai a noite, tudo vai fluir.

Me leva o vento, onde ele quiser.

Eu tive a lua pra me conduzir.

Só voltei quando o sol raiou, enfim.






É isso! Até a próxima!




Autoria: Luciano Otaciano

Comentários

  1. A velha angústia do artista é descobrir quem é. A velha questão é que somos construídos dia a dia, infinitamente.

    Um beijo,
    Fernanda Rodrigues | contato@algumasobservacoes.com
    Algumas Observações
    Projeto Escrita Criativa

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  2. Oi!
    Gostei do tema e dos versos mais curtos!

    https://deiumjeito.blogspot.com/

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  3. Luciano bom dia, encantadora a sua poesia, você escreve perfeitamente, desejo uma ótima semana abraços.

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    1. Oi, Lucimar! Muito obrigado pelo elogio. Que sua semana seja abençoada e de paz. Um abraço!

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  4. Olá Luciano!
    Um poema cheio de camadas quase filosóficas!
    Parabéns, poeta!!!

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    1. Oi, André! Valeu amigo! Obrigado pelo elogio. O recebo de coração. Boa semana pra você. Um abraço!

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  5. Bela poesia. Cheia de emoção.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar com muitos posts e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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    1. Oi, Emerson! Valeu amigo! Que sua semana seja de paz e abençoada também. Um abraço!

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  6. Um verdadeiro Noturno, meu amigo; você, realmente, é muito bom! Meu abraço, boa semana.

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    1. Oi, Árabe! Muito obrigado pelo elogio amigo. Você também é um exímio escritor. Boa semana pra ti também. Um abraço!

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  7. Respostas
    1. Oi, Teresa! Muito obrigado pelo elogio. O recebo de coração. Um abraço!

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  8. Olá, meu amigo, já senti que você escreve divinamente o ser complicado
    que somos, mas belos em seu esplendor, com intenso brilho.
    Temos idas e vindas, somos e não somos...
    Mas sempre na luta para sermos o que na verdade somos, e queremos ser.
    Belíssimo poema, e tem sim um teor filosófico bem forte.
    Uma feliz semana, com muita paz nesse mundo bem louco.
    Grande abraço daqui do Sul do Brasil, do pampa gaúcho.

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    1. Oi, amiga Taís! Muito obrigado pelo elogio. O recebo de coração. Somos por natureza complexos e geralmente complicamos ainda mais, não é mesmo? Que sua semana seja com muita paz e proveitosa. Um fraterno abraço querida.

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  9. Oi.
    Bom demais esse poema.
    incrível andar junto com o poeta nas suas andanças pela noite,
    a busca pela aventura, pelo sol, pela lua, enfim, pela própria vida.

    abraços.

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    1. Oi, Eduardo! Valeu! Obrigado por deixar seu comentário por aqui. Um abraço!

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  10. Olá Luciano mais um excelente texto que nos faz refletir sobre quem somos a cada dia no passar da vida...abraços

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    1. Oi, Ana Lucia! Muito obrigado por deixar seu comentário por aqui. Um fraterno abraço!

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