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Poema: O Eu Encarnado

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: O Eu Encarnado  O eu encarnado não é mentira, mas também não é verdade final. É aparato. É nome provisório. É aparência suficiente para percorrer o mundo. Serve para amar. Errar. Trabalhar.  Desejar corpos. Sentir medo. Sentir prazer. Serve para viver. Mas não é quem vive. O eu encarnado nasce para atuar, não para continuar. É um cargo temporário assumido pela consciência enquanto dura o corpo. Por isso sofre quando quer ser eterno. Por isso cansa quando se acredita absoluto. Quando lembrado como função, relaxa. Quando abandonado como identidade, silencia. Nada nele precisa ser salvo, porque nada nele é crucial. E ainda assim — tudo nele é necessário. O eu encarnado é a ligação, não o destino. É a roupa do sentir, não o sentir. É a voz, não o que escuta. Quando cair, não haverá perda — apenas término de uso. O que foi inquestionável não vestia o eu. O que foi vivido ...

Poema: O Eu Encarnado

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!



Poema: O Eu Encarnado 



O eu encarnado não é mentira, mas também não é verdade final.

É aparato.

É nome provisório.

É aparência suficiente para percorrer o mundo.

Serve para amar.

Errar.

Trabalhar. 

Desejar corpos.

Sentir medo.

Sentir prazer.

Serve para viver.

Mas não é quem vive.

O eu encarnado nasce para atuar, não para continuar.

É um cargo temporário assumido pela consciência enquanto dura o corpo.

Por isso sofre quando quer ser eterno.

Por isso cansa quando se acredita absoluto.

Quando lembrado como função, relaxa.

Quando abandonado como identidade, silencia.

Nada nele precisa ser salvo, porque nada nele é crucial.

E ainda assim — tudo nele é necessário.

O eu encarnado é a ligação, não o destino.

É a roupa do sentir, não o sentir.

É a voz, não o que escuta.

Quando cair, não haverá perda — apenas término de uso.

O que foi inquestionável não vestia o eu.

O que foi vivido não precisava de nome.

E o que permanece nunca precisou nascer.




É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano 

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