Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!
Poema: O Eu Encarnado
O eu encarnado não é mentira, mas também não é verdade final.
É aparato.
É nome provisório.
É aparência suficiente para percorrer o mundo.
Serve para amar.
Errar.
Trabalhar.
Desejar corpos.
Sentir medo.
Sentir prazer.
Serve para viver.
Mas não é quem vive.
O eu encarnado nasce para atuar, não para continuar.
É um cargo temporário assumido pela consciência enquanto dura o corpo.
Por isso sofre quando quer ser eterno.
Por isso cansa quando se acredita absoluto.
Quando lembrado como função, relaxa.
Quando abandonado como identidade, silencia.
Nada nele precisa ser salvo, porque nada nele é crucial.
E ainda assim — tudo nele é necessário.
O eu encarnado é a ligação, não o destino.
É a roupa do sentir, não o sentir.
É a voz, não o que escuta.
Quando cair, não haverá perda — apenas término de uso.
O que foi inquestionável não vestia o eu.
O que foi vivido não precisava de nome.
E o que permanece nunca precisou nascer.
É isso! Até a próxima!
Autoria: Luciano Otaciano
Oi, Luciano!
ResponderExcluirAdorei o teu poema. Há tempos atrás, andei lendo sobre o "eu encarnado", que você tão belamente nos trouxe romantizado em poema. No verso inicial você já nos apresenta a ideia de que o "eu encarnado - essa identidade que usamos todos os dias - não é uma mentira absoluta, mas também não representa a verdade final. E no decorrer do poema você vai, magistralmente, pincelando a filosofia com doses mágicas de poesia. Parabéns por ter sintetizado de maneira tão brilhante e poética, essa complexidade toda. Para mim, ao ler - vááárias vezes - o poema, consegui captar que o "eu encarnado" não é mentira, pois a gente sente dor, sente alegria e suporta as consequências de nossas escolhas. E também, não é a verdade final porque esse "eu" é mutável e está sujeito a materialidade da vida. No final das contas, e isso é coisa minha, me parece que a encarnação é como peça de teatro: o ator não está "mentindo" quando interpreta um personagem; ele realmente "está vivendo aquela realidade", mas se ele acredita que "é o personagem" após a peça terminar, acho que, então ele perdeu a conexão com a verdade maior. Não sei se consegui me fazer entender... é complicada essa abordagem. Vou ver se consigo trocar em miúdos: a verdade final é o observador; o "eu encarnado" é o filme (é isso?). O filme não é mentira (ele está passando na tela, ele emociona), mas a verdade final é a "luz do projetor e a tela branca", que permanecem intactas mesmo quando o filme acaba. Sei não, (risos) é muita queimação para os meus miolos. Ainda bem que você destrincha - e poetiza - muito bem essas questões.
Renovados aplausos.
Bjssssss, marli
Oi, Marli. O seu comentário já mostra um entendimento maravilhoso do "eu encarnado". O que dissestes é um complemento perfeito pro poema. Minha querida amiga infelizmente "o eu encarnado" é complexo pra qualquer pessoa compreender em essência. Fico verdadeiramente feliz em ter conseguido transmitir pra você o que quis passar. Muito obrigado por deixar aqui seus comentários inteligentes e carregados de sabedoria. Um abraço fraterno querida.
ExcluirOlá Luciano,
ResponderExcluirmuito bem escrito, somos resultados de nossas
escolhas e vive-las na essência é fundamental.
Gostei muito do seu poema.
Feliz sábado.
bj.
Oi, Bandys! Que bom que gostou do poema. Muito obrigado por deixar seu comentário. Um fraterno abraço.
ExcluirLuciano,
ResponderExcluirteu texto é profundo, filosófico e espiritualmente provocador. Ele nos convida a deslocar o olhar do “eu” que aparece para o “ser” que sustenta a experiência. Quando dizes que o eu encarnado é função e não essência, tocas num ponto sensível da consciência humana: nossa dificuldade em aceitar a impermanência.
Há muita sabedoria na ideia de que o sofrimento nasce quando o provisório quer ser eterno. Isso explica tantos medos, apegos e angústias. Quando entendemos o corpo e a identidade social como vestes temporárias da alma, algo em nós relaxa, como bem escreveste surge espaço para o silêncio interior, para a observação, para a liberdade do ser.
Ao mesmo tempo, teu texto não nega a importância da experiência humana. Pelo contrário: reconhece o “eu” como ponte, instrumento, campo de aprendizado. Isso dá equilíbrio à reflexão, evitando o desprezo pela vida material e afirmando seu valor como etapa, não como fim.
É um texto que não se lê apenas se medita. Ele não entrega respostas prontas, mas abre portas internas. E isso é sinal de escrita consciente.
Abraço
Fernanda
Oi, Fernanda! Acho que a dificuldade que temos em aceitar nossa impermanência vem do fato de tentarmos dar ao corpo algo que não pode ser: a ideia de ser eterno. Precisamos encarar nossa existência como uma função biológica aqui na Terra. Quando conseguimos entender isso, tudo fica um pouco mais claro, mesmo que sempre haja um vazio que nos deixa inquietos. Geralmente, tentamos ver cada parte do que somos como algo separado, na expectativa de obter respostas simples sobre nossa finitude enquanto estamos aqui. Muito obrigado por compartilhar por aqui seu pensamento, minha amiga. Seus comentários são sempre valiosos e precisos, pois você os aborda de forma profunda, e não superficial. Um fraterno abraço Fernanda.
ExcluirOi!
ResponderExcluirBelo texto e reflexão!
https://deiumjeito.blogspot.com/
Oi, Giovana! Muito obrigado. Abraço!
ExcluirGostando muito de suas poesias escritas para esse blog. Continue escrevendo.
ResponderExcluirBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
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Até mais, Emerson Garcia
Oi, Emerson! Muito obrigado. E você também nunca deixe de escrever em seu blog, viu. Seu cantinho é dos melhores da blogosfera. Boa semana. Abraço!
ExcluirLuciano um maravilhoso texto que merece aplausos, desejo uma feliz segunda-feira abraços.
ResponderExcluirOi, Lucimar! Muito obrigado. Tenha uma semana feliz também. Um abraço querida!
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