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Conto: Cidade do Fim do Mundo: Portal Pro Além Dimensão

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. O primeiro de 2026. Vem conferir! Conto: Cidade do Fim do Mundo: Portal Pro Além Dimensão  I Acordei sem saber que dia era. A luz do sol queimava meus olhos com um azul que lembrava seu olhar, aquele que só eu sei decifrar. Na cidade do fim do mundo, o tempo já não obedecia mais ao relógio dos homens. Tentei levantar, mas o peso do corpo era descomunal. Cada osso parecia preso por memórias que me mantinham ali, grudado ao chão frio e rachado do que um dia foi minha casa. Lá fora, o silêncio era ensurdecedor. Nenhum canto de pássaro, nenhum ruído de motor, nenhuma voz humana. Apenas o som do vento assobiando entre os escombros e a lembrança dos que um dia estiveram ali. Senti um arrepio percorrer minhas costas, como se alguém estivesse ali, guiando meus passos sem se mostrar. Lembro de ter sonhado com um trem, um túnel, um apito longínquo. Talvez tenha sido real. Talvez tudo fosse sonho agora....

Vazio!

Vazio, ao tentar a imaginar a inimaginável dimensão do mundo e
as aplicações da vida quanto ao próprio ato de existir, pequenas coisas
tornam-se tão banais que me sinto desestimulado a fazê-las. Ainda que
possam aparentemente possuir alguma importância, ao analisar suas
proporções físicas e não físicas em um plano menos superficial, conclui-se
que as pequenas e rotineiras tarefas que preenchem nosso cotidiano são,
na verdade, uma lastimável perda de tempo. Muitas ainda podem ser
utilizadas como ferramenta para alcançar um objetivo maior e mais
distante, mas muitas simplesmente não.
Conhecer alguém, conhecer alguém de verdade, tornar familiares
as nuances de cada emoção misteriosa e encher o próprio coração com o
êxtase da existência alheia; em outras palavras, puramente, amar, aceitar,
aceitar alguém de verdade, sem cobranças, porque, há em cada defeito
humano uma singular perfeição divina e em cada lágrima e suspiro e
dessossego e derrota, a mais crua das poesias do mundo.
Amar, ouvir cada palavra mal dita como se o timbre da voz alheia
possuísse, no mínimo, a mais crua das poesias do mundo. E desejar
entregar tão facilmente a própria alma tão somente a troco de... amor.
Amar, porque há no amor todo o equilíbrio e o caos do universo e é do
caos que surge a mais pulsante beleza da vida.
Eu perguntei a mim mesmo; pode um coração que jamais
provou do amor, amar? Será um homem não amado capaz de conhecer,
em vez de reconhecer, o amor em alguma outra coisa qualquer?
Pouco pensei, logo entendi que sim. O ser humano, como todas
as criaturas vivas, é feito de amor, por amor e sobretudo, para amar. A
necessidade desse sentimento existe e coexiste com a sua própria
realidade humana, e, assim, todo homem e mulher, antes mesmo de
nascer, ama e desama com a mesma naturalidade com a qual a vida lhe
possui, e seu coração se enche e se extasia, involuntariamente, com a
gratidão gloriosa do amar, em um processo simples e contínuo como um
rio desaguando.

Comentários

  1. Oi Luciano, belo texto!
    Parabéns, imagino que seja de sua autoria né..

    Beijo Mila

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    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Oi, Camila! Esse trecho está presente em meu livro "Reflexões de Vida". Sim, é de minha autoria. Beijos!

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  2. Oiii Luciano

    Lindas palavras, servem pra refletir bastante sobre amagnitude de vida e o quanto a gente è sò um pontinho nesse universo enorme. O segundo parágrafo foi o que mais gostei, descrevendo bem as nuances do ser humano

    Beijos, Alice

    www.derepentenoultimolivro.com

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    Respostas
    1. Oi, Alice é sim somo s um pontinho insignificante na magnitude do Universo. Grato pela visita e comentário. Beijos!

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  3. Concordo que é no caos que criamos coisas belas e amorosas.
    Belo texto.
    Bom fim de semana!

    O blog JOVEM JORNALISTA retornou do HIATUS DE INVERNO com dois posts interessantes.

    Até mais, Emerson Garcia

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