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Poema: Osmetério

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Osmetério Há nomes que chegam devagar, como a chuva antes da terra, e deixam no silêncio uma porta entreaberta. Osmetério — palavra antiga na boca do tempo, eco de passos que não voltam, mas continuam dentro. Acaso sejamos isso; um pouco de ausência, um pouco de promessa, e uma luz teimosa nascendo onde ninguém vê. No peito, guardamos ruínas com cuidado de quem guarda sementes.   Cada perda, em segredo, aprende a florescer. E quando a noite pergunta quem fomos, quem somos, responde o coração, baixinho; fomos a coragem de permanecer humanos mesmo depois de tudo partir. É isso! Até a próxima! Autoria: Luciano Otaciano

Conto: O Reflexo das Crenças

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir!



Conto: O Reflexo das Crenças



Em uma pequena aldeia, onde as casas de barro e palha seca se alinhavam ao longo de um rio calmo, duas comunidades coexistiam em uma dança de crenças e rituais; os seguidores de Lumina, a deusa da luz radiante, e os devotos de Sombrus, o deus das sombras misteriosas. Por gerações, essas convicções moldaram a vida dos aldeões, tecendo um intricado laço de tradições que, ao mesmo tempo que os unia, os separava. Lumina era celebrada em festivais vibrantes, onde os habitantes dançavam sob a luz do Sol, agradecendo pelas bênçãos que recebiam. Em contraste, Sombrus era venerado em rituais noturnos, onde os fiéis se reuniam em círculos ao redor de fogueiras crepitantes, buscando proteção nas sombras que cercavam suas existências. Apesar das diferenças, ambos os grupos compartilhavam um anseio comum; a busca por explicações para os mistérios da vida e da morte. Contudo, à medida que a aldeia prosperava, uma semente de intolerância começou a germinar. Elias, um jovem fervoroso seguidor de Lumina, começou a questionar a validade das crenças de Sombrus. Para ele, a luz era a única verdade, e as sombras, meras ilusões a serem dissipadas. “Como podem acreditar em algo que não se vê?”, ele esbrabejava, suas palavras ecoando entre os aldeões, incutindo dúvidas e desconfiança. Do outro lado, Maria, uma devota de Sombrus, via a luz como uma ameaça. Para ela, as sombras eram um refúgio e uma proteção, uma sabedoria antiga que não deveria ser ignorada. “A luz é cega e nos deixa vulneráveis”, argumentava, defendendo a importância da escuridão como parte do ciclo da vida. À medida que os debates se intensificavam, a aldeia se dividiu, e as celebrações tornaram-se campos de batalha, onde cada grupo tentava convencer o outro de sua verdade.

Um dia, um evento trágico abateu a aldeia. Uma tempestade violenta devastou as colheitas de Lumina, e os seguidores da luz, desesperados, começaram a culpar os devotos de Sombrus. “Foi a sua escuridão que trouxe essa calamidade!”, gritavam. A intolerância explodiu em conflitos, e a paz que antes reinava se desfez em gritos e rancores. No auge da discórdia, uma criancinha, perdida entre os dois grupos, se feriu gravemente ao correr para escapar do tumulto. Ao ver o sofrimento da criancinha, Elias e Maria, por um instante, deixaram de lado suas diferenças. Juntos, correram para ajudar, unindo suas forças e crenças em um único objetivo; salvar a vida da pequena criancinha. Após o incidente, a aldeia começou a repensar suas crenças. Elias e Maria perceberam que, por trás de cada narrativa, havia um desejo comum de proteção e significado. A religião, seja pela luz ou pelas sombras, era uma construção humana que refletia a busca por compreensão em um mundo repleto de mistérios. Assim, o reflexo das crenças começou a se transformar. Em vez de se verem como opostos, os aldeões compreenderam que a diversidade de perspectivas poderia enriquecer suas vidas. A luz de Lumina e as sombras de Sombrus, em harmonia, poderiam criar um espírito de significado que abarcasse a totalidade da experiência humana. Ao final, a aldeia não apenas curou suas cicatrizes, mas também aprendeu a celebrar suas diferenças, reconhecendo que a verdadeira força reside na aceitação e na união. Era um lembrete poderoso de que, apesar das crenças distintas, todos buscam o mesmo; um lugar seguro sob o vasto céu da existência. A história se espalhou, e a aldeia tornou-se um símbolo de tolerância, mostrando que, em meio à diversidade, podem florescer a compreensão e o respeito. Afinal, a luz e as sombras não são inimigas, mas complementos da nossa existência terrena, ajudando-nos a navegar a complexidade da vida, não é mesmo?



É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano

Comentários

  1. Mais do que um conto, Luciano: uma fábula, que nos traz preciosa lição! Meu abraço, amigo; bom resto de semana.

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    1. Muito obrigado Árabe! Um abraço fraterno meu amigo. Bom restinho de semana pra ti também.

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  2. Muito bom. Em matéria de crença religiosa, é bom haver tolerância e respeito com a fé alheia. Dificilmente um devoto de uma fé irá aceitar que sua fé é falsa e que a do outro é verdadeira, e tudo bem. Cada um pode ter suas certezas, desde que isso não leve à destruição do outro, como existe até hoje tal pensamento na Sharia islâmica.

    Agora, sabemos que Elias estava certo, a luz existe, a escuridão é apenas a falta dela. Então é bom que o devoto seja inteligente para descartar crenças que a ciência já comprovou ser falsas. O bom para os devotos é que sempre haverá um patamar da religião onde a ciência não pode ir, onde ela não tem nada a dizer. Nesse patamar, a fé religiosa alimenta suas certezas na ausência de comprovação contrária.

    Abraços, Luciano.

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    1. Muito obrigado Eduardo! De pleno acordo com o seu comentário tão bem explicado e elucidativo. Um abraço!

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  3. Luciano bom dia, uma lição sobre respeito à diversidade contada de forma leve e profunda ao mesmo tempo adorei o final, boa quinta-feira abraços.

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    1. Oi, Lucimar! Bom dia! Muito obrigado e fico contente que tenhas gostado do final. Boa quinta-feira pra ti também! Um fraterno abraço!

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  4. Olá Luciano, vim retribuir sua gentil visita ao meu blog e quando aqui chego, encontro um grande escritor!
    Parabéns pelo texto tão bem elaborado, com seus contrastes e oposições para mostrar que tudo na vida, seja quais foram as crenças de um povo, tem que ser baseado no equilíbrio.
    É no equilíbrio das diversidades que se celebra a harmonia da vida!!!
    Adorei estar aqui e pode ter certeza que voltarei mais vezes!!
    Tenha um ótimo final de semana!!

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    1. Oi, Adriana! Muito obrigado pela sua visita e seu comentário tão gentil. Não me considero um grande escritor, mas agradeço viu. Seja muito bem vinda ao meu humilde cantinho e volte sempre que quiser. Pra ti lhe desejo um fim de semana abençoado também com alegria no coração sempre. Um fraterno abraço!

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  5. Legal seu conto, Luciano. Vim agradecer pelo comentário que postou no meu blog. Quando fui responder, ele sumiu. Não sei e cliquei errado no celular. Então vim agradecer.

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    1. Oi, Fabiano! Obrigado! Às vezes pode acontecer mesmo. Por vezes acontece também de o comentário, por algum motivo desconhecido não aparecer no blog. Um abraço!

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  6. Bravíssimo Lu!
    Publicação maravilhosa de ler
    e ficar meditando depois.
    Fiz uma publicação interativa
    lá no Espelhando e vou amar
    ver Vc por lá.
    Bjins
    CatiahôAlc.

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    1. Oi, Catiahô! Muito obrigado! Alegra-me saber que tenha gostado da mensagem. Pode deixar que vou participar viu. Um fraterno abraço minha amiga

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  7. Respostas
    1. Oi, Teresa! Muito obrigado! Bom fim de semana pra ti também. Um fraterno abraço!

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  8. Oi, Luciano. Um belo conto e um belo exemplo a ser seguido. Quem dera um dia a humanidade chegasse a essa conclusão.

    Tenha uma boa semana!
    Até breve;

    Helaina (Escritora || Blogueira)
    https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
    https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)

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    1. Oi, Helaina! Que bom que gostou do conto. Tenha uma ótima semana também. Um fraterno abraço!

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  9. Bem interessante esse conto. Na vida tem a luz e a sombra. Temos que aprender a conviver com elas.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está em Hiatus de inverno entre 03 de agosto à 07 de setembro, mas comentaremos nos blogs amigos. Mesmo em Hiatus, o JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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    1. Oi, Emerson! É bem por aí mesmo! Boa semana pra ti. Um abraço!

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