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Poema: Prece da Noite e do Vento

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Prece da Noite e do Vento Se cai a noite, tudo flui — me leva o vento. Onde ele quiser. Lua, minha guia silente. Me conduz até o sol renascer. Louco, sim, mas não marginal. Faço muito com pouco, sou essencial. Louco, todo mundo tem um pouco. Eu carrego quase cem no meu troco. Sem entorpecer, nasci apressado. Sete meses, um ser acelerado. Mais um comum, mas essa noite é louca. Quero nascer de novo, alma pouca. Do sereno sou, o que a noite traz? Mulheres, histórias, ressacas e paz. Do orvalho sou, o que a noite dá? Perigos, loucuras, vergonhas, sei lá. Se jogar é viver, celebrar, só lazer. Meu caminho a noite sabe guiar. Somos nós outra vez, no ar a voar. Na madrugada, o efeito a pulsar. Se a madrugada obtém o melhor de mim. Estou na fé que me ilumina assim. Tenho o tempo, meu aliado fiel. Saio só quando o sol abrir o céu. Madruga me chama, já sei. Portas se abrem onde eu estive...

Resenha: Cem Noites Tapuias

 LIVRO: Cem Noites Tapuias 

ANO DE LANÇAMENTO: 1986

AUTORA: OFÉLIA E NARDAL FONTES

EDITORA: ÁTICA 

NÚMERO DE PÁGINAS: 109

CLASSIFICAÇÃO: ☆☆☆☆☆



Sinose: É uma narrativa que aborda o conflito entre garimpeiros e índios, no Mato Grosso. Quincas Venâncio é o pai de Quinquim que, junto com a professora, uma “bugra”, foi raptado pelos índios xavantes. A narrativa do rapto e do resgate dos dois se apresenta paralela a uma série de histórias contadas por Joana, a bugra-professora, para tentar amenizar o sofrimento da criança. São mitos e lendas indígenas, em que as lições de comportamento tornam-se exemplares. Durante as cem noites em que passam presos, são contadas histórias pertencentes ao folclore brasileiro, incluindo o mito do saci, explorado anteriormente por Lobato, e aventuras de animais típicos da fauna brasileira, como a anta. São também incluídas nas histórias trechos de cantigas e quadrinhas típicas do folclore nacional, fato enriquecedor da narrativa, que além da história de Quinquim traz ao leitor o conhecimento de elementos de sua cultura, sob a forma agradável da literatura de entretenimento.



Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de resenha por aqui! Vem conferir!



CEM NOITES TAPUIAS, esse curioso livro inserido na venerável Coleção Vaga-Lume — tão estimada pelos espíritos juvenis, embora não desprovida de substância para mentes mais amadurecidas — apresenta-se como uma obra de engenhosa tessitura narrativa. Seu artifício de entrelaçar duas histórias — uma principal e outra de índole das fábulas — evoca, com elegância e erudição, os longínquos contos de As Mil e Uma Noites, nos quais realidades se dobram umas sobre as outras como véus sucessivos ao vento.

No âmago da narrativa reside Quincas Venâncio, homem do garimpo, viúvo de antiga dor, que, com mão firme mas coração inquieto, cria solitariamente seu filho Quinquim em um recanto apartado da civilização. A ausência da figura materna pesa sobre o menino como uma névoa persistente, e tal carência o impele, sem que ele o saiba, à senda de uma jornada que, se por um lado se tece com a rudeza da perda, por outro é bordada com fios de esperança e amadurecimento.

O enredo adquire feições ainda mais vibrantes quando Quinquim e a professora Joana Borora — essa mulher de saber, fibra e ternura — são capturados por membros da nação Xavante. A narrativa que então se desdobra não é meramente de perseguição ou resgate, mas de travessia entre mundos, uma  viagem que busca o entendimento entre tradições que, embora distintas, não se excluem.

Com notável argúcia, as autoras rejeitam o maniqueísmo fácil. Os indígenas não são sombras a temer, mas seres dotados de cultura viva, de hábitos e concepções  de mundos próprios, revelando uma humanidade tão plena quanto a dos que se consideram CIVILIZADOS. Nesse contexto, a figura de Joana Borora resplandece como mediadora e símbolo de entrega — sua escolha de sacrificar-se em prol dos alunos brilha como ato de nobreza incomum.

Entre os elementos mais encantadores encontra-se a fábula do jabuti Carumbé, o pequeno herói que, impelido por estranha urgência, parte em busca do mítico Fim do Mundo. Essa narrativa paralela, ainda que revestida de candura, encarna uma metáfora rica e poderosa. Carumbé, em sua lerdeza determinada, reflete o próprio Quinquim, ambos lançando-se rumo ao desconhecido com passos hesitantes, mas corações decididos.

O ritmo da obra é dosado com maestria, oscilando entre a contemplação e a ação, entre o silêncio das matas e o clamor das emoções humanas. As autoras manejam bem o suspense, ora nos levando às profundezas da aldeia, ora ao fervor do grupo de busca, como quem alterna luz e sombra em tapeçaria viva. Se algumas resoluções se inclinam ao idealismo — como o desfecho conciliatório entre culturas ou a união matrimonial entre Quincas e Joana, que surge com celeridade —, não destoam da proposta da obra, cujo espírito é de esperança e concórdia.

Em resumo, CEM NOITES TAPUIAS é uma ode ao entendimento entre mundos, um tributo à palavra falada, à escuta atenta e à travessia amorosa entre diferenças. Seu valor transcende a categoria infantojuvenil: é um relicário de ensinamentos sobre empatia, convivência e a dignidade das narrativas que nascem da terra, da dor e do sonho. Uma leitura que, como os melhores contos antigos, permanece viva no espírito muito tempo após a última página ser virada. É isso! Até a próxima!



Comentários

  1. Oi. Luciano. Tudo bem? Só de ouvir falar na coleção Vaga-lume já sinto saudade. Sei que li muitos títulos, todos emprestados da biblioteca e não tive o cuidado de escrever nada sobre nenhuma das leituras. Uma pena. Não acredito que tenha lido esse que você resenhou, mas pela maneira como você descreveu parece seu mais uma história agradável e bem escrita, digna dessa coleção.

    Tenha uma boa semana!

    Helaina (Escritora || Blogueira)
    https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
    https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)

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    1. Oi, Helaina! Estou bem, e você? A coleção Vaga-lume, indubitavelmente, é uma obra encantadora, não é mesmo? Este título, em particular, merece ser lido com atenção, assim como os outros que compõem essa magnífica coleção. Se tiver a oportunidade, não hesite em explorá-la! Lhe desejo uma boa semana também. Abraço!

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  2. E aí, Luciano, tudo bem?

    Boa resenha, ainda mais de um volume da clássica coleção Vaga-lume. Esse eu não li, mas sei que li dezenas deles. Os que ficaram na minha lembrança literária afetiva foram "O Caso da Borboleta Atíria" e "A Ilha Perdida".

    Bom domingo e boa semana.
    Abraços.

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    1. Oi, Eduardo! Estou bem, e você? É uma satisfação imensa saber que apreciou a resenha. De fato, os títulos por ti mencionados figuram entre os mais notáveis já concebidos na literatura. Tenha uma boa semana. Abraço!

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  3. Lu,
    Você tras sempre pontos
    lá de um tempo onde ler
    era meu maior desfio e prazer.
    Adorei rever esse título aqui,
    e alías sua resenha está
    sensacional.
    Grata por nos brindar sempre.
    Bjins de bom fiz de domingo
    e de ótima nova semana.
    CatiahôAlc.

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    1. Oi, Catiaho! É com alegria que recebo suas palavras sobre o poema. A arte da escrita e o prazer da leitura, quando imbuídos de amor, transcendem o mero ato criativo, mergulhando-nos em um universo onde a beleza se entrelaça com a alma. Cada verso, como uma pérola resplandecente, envolve o coração com a suavidade de memórias afetuosas, revelando que, no fim, o que realmente importa é a conexão profunda que estabelecemos com o que criamos e compartilhamos, não é verdade? Abraço querida!

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  4. Parece-me encantador. Gostava muito de ler mas não encontro aqui em Portugal...
    Haverá algum sítio onde o consiga encontrar online?
    Obrigada

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    1. Oi, Sandra! Caso tenhas a oportunidade, recomendo vivamente que não deixes de explorar esta obra que menciono. Embora seja um título de antiguidade reconhecida, não será difícil encontrá-lo disponível para aquisição em alguma livraria online, creio eu. Abraço!

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  5. Oi Luciano, tudo bem?
    Achei os temas desse livro muito interessantes, não conhecia o título ainda. Eu amava a coleção Vaga-Lume!
    Beijos,

    Priih
    Infinitas Vidas

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    1. Oi, Priscila! Estou bem, e você! O livro é ótimo. Se tiver oportunidade de lê-lo, não deixe de conferir. Abraço!

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  6. Oi, Emerson! É sim, se tiver oportunidade leia-o. Boa semana pra ti também. Abraço!

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