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Mostrando postagens de novembro, 2025

Poema: O Eu Encarnado

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: O Eu Encarnado  O eu encarnado não é mentira, mas também não é verdade final. É aparato. É nome provisório. É aparência suficiente para percorrer o mundo. Serve para amar. Errar. Trabalhar.  Desejar corpos. Sentir medo. Sentir prazer. Serve para viver. Mas não é quem vive. O eu encarnado nasce para atuar, não para continuar. É um cargo temporário assumido pela consciência enquanto dura o corpo. Por isso sofre quando quer ser eterno. Por isso cansa quando se acredita absoluto. Quando lembrado como função, relaxa. Quando abandonado como identidade, silencia. Nada nele precisa ser salvo, porque nada nele é crucial. E ainda assim — tudo nele é necessário. O eu encarnado é a ligação, não o destino. É a roupa do sentir, não o sentir. É a voz, não o que escuta. Quando cair, não haverá perda — apenas término de uso. O que foi inquestionável não vestia o eu. O que foi vivido ...

Poema: Nauseabundo Mendigo

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Nauseabundo Mendigo Coração partido, pedaços espalhados como fragmentos de um espelho quebrado, refletindo um orgulho ferido, eco surdo de um amor vencido, preso nas malhas do tempo que não perdoa. Delírio fingido, palavras sussurradas no teu ouvido, como fantasmas que insistem em dançar no silêncio entre nós. Espero teu sorriso, como quem espera o sol nascer após uma noite sem estrelas, mas o que me chega é o vazio, o frio de um olhar esquecido, que antes era abrigo e agora é abandono. Nauseabundo mendigo, vago por ruas escuras da alma, perdido entre sombras, sem lugar para repousar o peito cansado. Por mim caído, entrego os restos do que fui, fiz do teu peito abrigo — um castelo frágil erguido sobre a areia movediça da dúvida. Brilho enfraquecido, tesouro perdido em cofres invisíveis, cobrado pela avareza do silêncio, o mais querido e cruel dos ladrões. Mandíbula de paralele...

Que Tipo de Deus Você Venera?

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! Que Tipo de Deus Você Venera? O cerne da questão reside na observação de que múltiplos indivíduos encontram-se compelidos a buscar ícones ou referências palpáveis para sustentar o vigor de sua fé. Todavia, é documentado nas Sagradas Escrituras que Deus  transcende forma tangível, manifestando-se como espírito; e fora dessa essência incorpórea, aqueles que o  veneram devem fazê-lo com sinceridade e em harmonia com a verdade sublime. Destarte, nenhuma mediação há entre o  Deus e a humanidade, a não ser aquela figura excelsa, Cristo, cuja paixão e sacrifício na cruz por amor ardente aos homens permanecem como testemunhos eternos. Faz-se azáfama olhar para o divino por seu intermédio. Aqueles que aspiram seguir o exemplo da venerada Maria mãe de Jesus devem, pois, dedicar-se com fidelidade e constância ao Deus, através dos caminhos traçados por Jesus Cristo, assim como ...

Poema: Pra Te Encontrar

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Pra Te Encontrar Pra te encontrar, eu caminho entre delírios e brumas, ouço vozes no vento, e uma delas, sutil, é a tua — chamando meu nome nas entrelinhas do silêncio. Tua voz ecoa em meu caminhar, como se cada passo fosse um chamado, como se a estrada soubesse que o destino é tua presença. Faço valer tua ausência, mesmo quando ela pesa como pedra nos ombros. Carrego tua falta como quem carrega uma esperança enraizada na dor. Lembranças ignotas passam, vultos do que fomos, fantasmas que visitam as madrugadas em que tudo é mais claro. Teu semblante marcado, gravado em minha pele como cicatriz sagrada, tempo estagnado no contorno dos teus olhos. Caminhei por campos selvagens, atravessei montanhas áridas, beira-mar, além-mar, buscando qualquer sinal teu na espuma, no sal, no céu aberto, no ventre do teu eu, no útero teu. Existo no balbuciar do mundo, nessa língua imperfeita feita de su...

Poema: O Sol, o Azul Que Encena a Ilusão

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: O Sol, o Azul Que Encena a Ilusão O céu — um manto azul que encena a ilusão — traz consigo o riso fácil da distração. O sol, farol de dentro, acende meu pensamento em claridade urgente. Busco sensatez no silêncio, discernimento entre as sombras do intento. Que a luz revele os contornos do caminho, mesmo quando sou apenas um eco do eu sozinho. Nasce o dia — tênue, terno, um sopro manso no inferno das dúvidas e da inquietação. O coração, cansado da repetição, grita calado sua exaustão. A natureza ferida em sua essência bela, dorme sob o concreto da era primitiva. O mar — vasto, intacto, abismo e cura — traz memória do que somos, sem censura. Papagaio falante corta o céu em desalinho, sem bússola, sem ninho. E o céu, cúmplice da alienação, pinta de festa a distração. A praia se entrega ao verão, a beleza exposta, moldada em tentação. Mulheres-escultura, sol e sedução, colírio e v...

Sobre Filosofia, Espiritualidade e Outras Coisas Banais

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! Sobre Filosofia, Espiritualidade e Outras Coisas Banais ( ou não banais ). Num mundo vasto e efervescente de incessantes marés de informação e agitação, nossa mente vagueia continuamente, contemplando as imensas questões da existência, tais como a filosofia, a espiritualidade e os enigmas inerentes à condição humana. O que à primeira vista surge como trivial, revela-se, quando observado sob um olhar atento e contemplativo, como parte de uma intricada tapeçaria que tece o âmago do nosso ser. A filosofia, esse venerável legado de pensadores ancestrais que inquietaram os limites do real e do abstrato, convoca-nos a sondar as profundezas das nossas próprias convicções e valores. O que pode verdadeiramente ser chamado de real? Onde repousa a verdade? Nesta peregrinação de questionamentos, não se encontram respostas definitivas, mas sim um caminho de constante autodescoberta. A busca pe...

Poema: Quando O Céu Finge Alegria

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Quando O Céu Finge Alegria Há um céu que sorri por fora, mas silencia por dentro. Derrama luz como quem tenta curar a penumbra que mora em mim. O dia nasce — não por vontade, mas por insistência. Meu pensamento vagueia entre sombras que fingem ser luz. E nesse intervalo entre a lucidez e o desejo, me perco. O clarão não ilumina o caminho, apenas expõe os cacos do que fui tentando ser. Há beleza — sim. Mas há também a ausência do que era inteiro. O mar, imenso, não responde. Apenas observa minha tentativa de nomear o indizível. Vejo o voo da arara, não como liberdade, mas como ausência de pouso. As cores da praia, as curvas da distração, os corpos em transe ao sol — tudo dança, tudo brilha, mas nada permanece. É o instante que beija e foge. É o desejo que nunca se deita por inteiro. O sol se retira, levando consigo os delírios. E eu fico, como sempre fiquei: no silêncio após o ...

Resenha: Cem Noites Tapuias

 LIVRO: Cem Noites Tapuias  ANO DE LANÇAMENTO: 1986 AUTORA: OFÉLIA E NARDAL FONTES EDITORA: ÁTICA  NÚMERO DE PÁGINAS: 109 CLASSIFICAÇÃO: ☆☆☆☆☆ Sinose: É uma narrativa que aborda o conflito entre garimpeiros e índios, no Mato Grosso. Quincas Venâncio é o pai de Quinquim que, junto com a professora, uma “bugra”, foi raptado pelos índios xavantes. A narrativa do rapto e do resgate dos dois se apresenta paralela a uma série de histórias contadas por Joana, a bugra-professora, para tentar amenizar o sofrimento da criança. São mitos e lendas indígenas, em que as lições de comportamento tornam-se exemplares. Durante as cem noites em que passam presos, são contadas histórias pertencentes ao folclore brasileiro, incluindo o mito do saci, explorado anteriormente por Lobato, e aventuras de animais típicos da fauna brasileira, como a anta. São também incluídas nas histórias trechos de cantigas e quadrinhas típicas do folclore nacional, fato enriquecedor da narrativa, que além da hist...

Poema: Quisera O Tempo Andar Pra Trás

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Quisera O Tempo Andar Pra Trás  Olho-me fundo, sem me enxergar, pra não ferir a alma com o sol da manhã. Tantas verdades chegam sem pedir licença, e o arrependimento que não era pra vir veio. Às vezes, respiro um mundo seco, feito de repetições e promessas não ditas. A vida se estanca, mas algo em mim ainda dança lembranças, vícios, coisas pequenas, mas que foram o início de tudo que eu já quis tocar. Quisera o tempo andar pra trás, não por vaidade, mas pra consertar com mãos mais calmas as linhas tortas que tracei contigo. Como se amar fosse um jogo e perder, um papel que aceitei fingindo. E se eu dissesse que não me arrependo? Talvez fosse mentira, mas hoje prefiro a verdade nua: não quero mais esse mundo que carrega teu gosto, teu nome, teu modo de doer. Às vezes, tudo parece imóvel. Mas então me lembro: você foi o início da minha febre, meu vício mais doce, meu erro m...

A Luz Que Vem de Dentro

Olá caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir. A LUZ QUE VEM DE DENTRO Outro dia, sentado na varanda de minha casa, olhando o vento brincar com as folhas da amendoeira, me peguei pensando na diferença entre saber e acreditar. Não foi nada muito rebuscado, desses pensamentos que exigem livro grosso ou palestra motivacional. Foi só um estalo. Um desses lampejos que vêm do nada, como se alguém tivesse acendido uma lâmpada no porão da alma. O verdadeiro saber, percebi, não vem de fora. Não está na capa dura da enciclopédia nem na voz grave de quem fala bonito. Ele nasce dentro da gente, feito nascente de rio. Vem de um lugar silencioso, íntimo, onde mora o que chamam de Verdadeira Natureza — com V e N maiúsculos mesmo, porque é sagrado. Acreditar, por outro lado, é coisa ensinada. É a herança que a gente carrega sem saber se vale. A gente acredita porque disseram, porque leu em algum canto, porque ensinaram na escola, porque a mãe ...

O Meu Quintal

Olá caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir. O MEU QUINTAL  Não sei quanto a vocês, mas nutro por entre os recantos da alma uma profunda predileção pela essência verdejante que a natureza tão generosamente oferta. Tenho a ventura de habitar um lar que contempla um vasto quintal, onde pousam árvores frutíferas cujas dádivas doces se me oferecem a qualquer instante, como frutos mágicos a desabrochar em pleno contato com minhas mãos. Distinto dos tempos em que residia entre paredes apertadas de apartamentos, onde tais opulências verdes eram proibidas, agora gozo da companhia de inúmeras espécies, excetuando aquelas uvas e morangos que, por caprichos do destino, não crescem sob meu céu. Mesmo assim, um imponente coqueiro estende seus galhos ao firmamento, majestoso e sereno. Ao empreender a composição de um pomar ou jardim doméstico, é comum que as árvores frutíferas se apresentem como escolhas primordiais, embelezando o esp...