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Entre a Vontade e o Desejo

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir! Entre a Vontade e o Desejo No vasto teatro da psique humana, onde as correntes eternas da consciência tecem padrões além da compreensão comum, o desejo não irrompe do vazio primordial como um capricho isolado. Ele surge, qual visão hipnótica de dimensões ocultas, como um impulso de magnitude quase cósmica, carregado de uma tensão primordial, sempre que as inquietações internas — reflexos de arcaicas harmonias interrompidas — tocam os recessos da mente. É como se o intelecto, incapaz de abarcar plenamente certo desconforto transitório, invocasse, por mecanismos arcanos e automáticos, um portal de evasão. Assim, o desejo não se ergue como a causa primordial de nossa inquietude; ele é, antes, sua consequência ressonante, o ápice final de um circuito emocional que se desenrola em camadas profundas e intrincadas. Toda manifestação de desejo porta em si o combustível de eras pretéritas:...

Que Tipo de Deus Você Venera?

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir!



Que Tipo de Deus Você Venera?



O cerne da questão reside na observação de que múltiplos indivíduos encontram-se compelidos a buscar ícones ou referências palpáveis para sustentar o vigor de sua fé. Todavia, é documentado nas Sagradas Escrituras que Deus  transcende forma tangível, manifestando-se como espírito; e fora dessa essência incorpórea, aqueles que o  veneram devem fazê-lo com sinceridade e em harmonia com a verdade sublime. Destarte, nenhuma mediação há entre o  Deus e a humanidade, a não ser aquela figura excelsa, Cristo, cuja paixão e sacrifício na cruz por amor ardente aos homens permanecem como testemunhos eternos. Faz-se azáfama olhar para o divino por seu intermédio. Aqueles que aspiram seguir o exemplo da venerada Maria mãe de Jesus devem, pois, dedicar-se com fidelidade e constância ao Deus, através dos caminhos traçados por Jesus Cristo, assim como ela, na sua notável devoção, o fez sem vacilar. Nossos semelhantes perambulam abundantemente pelo vasto universo em busca de elementos concretos, tangíveis e palpáveis, muitas vezes negligenciando a esfera espiritual que, por sua natureza imaterial, deveria ser abraçada com predileção e reverência. A condição de ser essencialmente uma entidade "espiritual" não detém qualquer importância meramente superficial; antes, opera como um bálsamo reconfortante às almas temerosas, que hesitam em reconhecer a responsabilidade inerente às peripécias de suas jornadas existenciais. Esta condição pode ser interpretada como uma engenhosa artimanha, concebida em eras remotas, destinada a manter sob controle mentes primitivas e fracas, frequentemente manipuladas por indivíduos de argúcia e interesses escusos, que se apropriam das posses e confiança das massas. Dirija seu olhar a uma instituição prisional e lá verá que mesmo os corações endurecidos, assassinos, ladrões, estupradores e alma perturbadas, manifestam uma fé que resplandece. Quão paradoxal é este quadro aparentemente desconexo! É salutar manifestar com firmeza nos corações humanos os ensinamentos da evolução, do pensamento crítico, da razão e da ética, a fim de libertar as mentes do transe ancestral que as aprisiona. Assim, aqueles que escolhem se prostrar diante do que acreditam ser entidades poderosas e imateriais para realizar seus anseios mais profundos poderão prosseguir em seu caminho, conscientes porém de que cada ser humano traça seu próprio destino — um destino cuja vitória talvez não resida no domínio sobre si mesmo, mas na superação dos desafios impostos pela trama da existência. É isso! Até a próxima!

Comentários

  1. Luciano,

    que reflexão forte e necessária! É bonito ver alguém tratar a fé com tanta seriedade, sem ilusões nem atalhos. Concordo quando você diz que muitos procuram o sagrado no que é palpável, esquecendo que Deus é Espírito e só pode ser encontrado com verdade interior.

    E é curioso e lindo perceber que até nos lugares mais improváveis existe fé, mesmo em corações marcados por erros. Isso mostra que a centelha divina nunca se apaga.

    Obrigada por trazer um texto que faz refletir bastante.

    Abraço
    Fernanda

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    1. Oi, Fernanda! Pra mim o Brasil é um país abençoado nesse assunto religioso, vez que aqui convive-se em harmonia quase perfeita entre as muitas religiões que existem. Contudo geralmente o povo brasileiro não estuda a religião que segue profundamente. Em geral, muitos acreditam no que jogam goela abaixo dizendo ser a verdade absoluta. Abraço querida!

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  2. Luciano, gostei muito do texto e de tudo o que nele se contém.
    É verdade, temos uma compulsão "atávica" de tornar concreto o abstrato. Acontece que somos seres encarnados, vivemos num mundo material e nossas experiências são materiais. Mas você está coberto de razão quando diz que "Deus transcende forma tangível, manifestando-se como espírito; e fora dessa essência incorpórea, aqueles que o veneram devem fazê-lo com sinceridade e em harmonia com a verdade sublime." Nada mais correto do que isto, até porque a fé, em sua essência, é a crença no invisível e no intangível. Todavia para milhares de pessoas, sustentar o vigor dessa fé, puramente no campo das ideias, é um desafio monumental que nem todos conseguem. É aqui que entra a necessidade de pontos de referência palpáveis que possam ser vistos, tocados ou visitados. Penso que os ícones religiosos – estátuas, pinturas, crucifixos, pedrinhas energéticas, etc, ou até mesmo os textos sagrados – agem como "interfaces" tangíveis para a realidade espiritual, capazes de fortalecerem a fé, tornando-a uma experiência vivida e sentida. Em momentos de crise, ajoelhar-se diante da imagem de um santo, segurar as contas de um terço para rezar, ou até mesmo visitar um santuário específico, oferece uma sensação de proximidade e proteção divinas que o conceito abstrato de fé nem sempre consegue proporcionar. Por isso, penso que a busca por "ícones ou referências palpáveis para sustentar o vigor da fé", não deve ser visto como negligência à esfera espiritual, pelo contrário, traduz uma manifestação natural de como nossa mente humana processa o mundo na esfera da espiritualidade. Bjsss, Marli

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    1. Oi, Marli! O principal mesmo é a fé, não é verdade? Dizem que aquele que tem a fé de um grão de areia é capaz de perpetuar milagres por intermédio de Deus, e talvez seja isso mesmo o que ocorre. Hoje em dia o mundo está cada dia mais doente, consequentemente a vida está mais difícil, principalmente em um país como o Brasil com a desigualdade social gritante escancarada pra todos verem. Obrigado pelo comentário tão rico querida Marli. Abraço!

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  3. Oi, Luciano. Tudo bem? Gostei muito da sua reflexão. Realmente há uma ansiedade em tornar visível o que desde o início se manifestou de uma maneira não visível, ou pelo menos sem ser conforme esperamos. Eu compreendo um pouco essa dificuldade de algumas pessoas, comparando com a facilidade que eu, sendo escritora, lido com mundos inteiros que nunca serei capaz de ver com meus olhos. Isso não me perturba, apesar do desejo de poder entrar em um mundo desses e passar um tempo por lá. Quanto a minha fé, ainda a considero pequena, mas não vejo a possibilidade de deixar de acreditar.

    Tenha uma boa semana!

    Helaina (Escritora || Blogueira)
    https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
    https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)

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    1. Oi, Helaina! Estou bem, e você? Como é fascinante a ideia de habitar mundos inteiros, onde a imaginação se entrelaça com as mais intrigantes realidades! A mente, ao explorar essas dimensões inexploradas, nos leva a um desejo quase irresistível de permanecer nelas por um tempo indefinido, como se o tempo não tivesse importância. A fé, mesmo que pequena, é um farol que brilha intensamente em meio à vastidão da incerteza; é verdade que muitos se perdem na escuridão, e por isso é um alívio encontrar aqueles que ainda guardam uma centelha de esperança. Tenha uma boa semana também. Abraço!

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  4. Lu,
    Gosto muito quando nossas publicações
    falam de esperança, amor e fé.
    Por mais que o ser humano tente, ele
    não fica satisfeito ou em paz se viver
    de forma aleatória. Seja lá o nome que
    chamamos quem organizou tudo a nosso
    redor, e que eu chamo de Deus, é bom
    sustentar a ideia de sermos cuidados
    e que ainda por cima temos liberdade
    de fazer nossas bobagens.
    Amei seu texto e nada tenho a acrescentar.
    Minha gratidão por ler um intectual de sua
    potência que além de versos, cronicas e
    outros escritos tambem escreve sobree
    coisas de fé. Aprecio essa troca
    generosa que seus escritos nos proporciona,
    Meu respeito e minha admiração.
    Bjins
    CatiahôAlc.

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    1. Oi, Catiaho! E quão muitas as trivialidades que tecemos em nossos diários laboratórios de pensamento e ação, não? Alegre sinto-me por saber que minha modesta postagem suscitou em ti essa amabilidade generosa, estimada amiga. Discorrer sobre fé, sobre a vastidão religiosa e sobre o conceito de Deus, para mim, representa um ato de libertação da alma; embora haja na poesia uma música a que me entrego com deleite, é no campo da filosofia e das complexas veredas espirituais que me encontro em mais plena comensalidade, sobretudo pelo estudo profundo das diversas doutrinas que permeiam nossa existência. O mútuo respeito e a admiração entre nós se apresentam como uma ponte etérea sustentada pela sinceridade do diálogo. Agradecido estou pelo préstimo de teus comentários, pois a troca fecunda das opiniões e experiências é uma fonte inexaurível de crescimento e enriquecimento para todo aquele que se aventura nessa jornada do entendimento. Abraço querida!

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  5. Boa reflexão, meu amigo! Cheguei ao seu blog por sugestão da Catiaho, que já me havia indicado o Sílvio Afonso, um dos melhores cronistas que conheço, e esta indicação também foi muito boa; gostei do seu jeito de escrever! Quanto ao assunto "Deus", acho que toda fé deve ser raciocinada; ou não se sustenta, quando surgem as tempestades da vida. Tenho o meu próprio conceito d'Ele e confesso que, em muitas fases difíceis, a fé me levou adiante; é uma grande força! Meu abraço, bom resto de semana.

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    1. Oi, Flávio! Que deleite é saber que apreciaste minha reflexão, e reconhecer na figura de Catiaho a graça de uma pessoa querida e afetuosa. Que agradável é saber também que minha forma de escrever encontrou eco em teus gostos. O tema Deus é, sem dúvida, um dos mais fascinantes e profundos que o espírito humano pode ponderar. A singularidade da ideia de Deus, evidenciada na vastidão das concepções que cada indivíduo ou cultura pode criar, é um testemunho do misterioso e plural espírito humano; enquanto muitos são educados sob rígidas e inflexíveis doutrinas, há almas que abraçam seu próprio entendimento, livre das amarras do dogma, como um rio que trilha seu curso naturalmente. Que triste é a aceitação cega, por vezes, de certezas que, em sua imposição, podem tolher o pensamento e a busca pessoal. Diversas religiões oferecem entendimentos distintos acerca da divindade: no monoteísmo clássico, Deus é a entidade suprema, criadora e sustentadora de tudo, e há variações quanto a sua natureza e atos — por exemplo, no Cristianismo há a ideia da Santíssima Trindade, no Judaísmo a relação sagrada entre Yahweh e seu povo, e no Islamismo a unicidade transcendente de Alá. Já outras tradições, como o panteísmo, percebem Deus como imanente ao universo, uma força que permeia toda a existência, enquanto algumas correntes filosóficas e religiosas afastam-se da ideia de uma divindade pessoal, focando mais em experiências espirituais e iluminativas. Essa multiplicidade de visões revela o rico e complexo tecido cultural e espiritual humano e mostra que o conceito de Deus é tão vasto e variado quanto as próprias experiências humanas. Assim, a reflexão sobre Deus ganha um caráter não apenas de busca, mas também de liberdade, que deve ser respeitada e cultivada para o enriquecimento mútuo das almas que a ela se entregam com sinceridade verdadeira e abertura. Abraço meu amigo!



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  6. Durante muitos anos venerei o Deus cristão de acordo com os dogmas cristãos. Foi um tempo de aprendizado e muitas vezes, satisfação espiritual. Mas chegou um momento em que já não conseguia ver consistências nas doutrinas cristãs. Não joguei o Cristo na lata do lixo, o tenho como o mais importante personagem da nossa história, mas todas as cristologias que se fizeram a partir da sua existência hoje em vejo com muitas desconfianças. Prefiro ficar com O Jesus humano. Ou, o Jesus que de tão humano, só poderia ser divino, nas palavras de Boff.

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    1. Oi, Eduardo! Não se culpe, meu amigo. A verdade é que muita gente faz o que você fez, se agarrando a essas coisas, como se fossem a última garrafa de cachaça no fundo de um armário qualquer. Não jogar o Cristo fora é certo; você venerou essa tralha por tanto tempo que jogar no lixo seria um tapa na cara da memória. E, olha, seria ingratidão da sua parte, não é verdade! O que importa é você ter sua fé, acreditar no que seu coração e sua consciência sussurram, mesmo que seja uma voz rouca e cansada. Não faça como eu, que passei anos, uma vida inteira, vagando por esse mundo sem acreditar em nada. Isso é triste, uma crueldade que pesa no peito. Sem a fé, você fica sem aquele conforto que Deus oferece pra quem ainda acredita Nele. A vida sem isso é um copo vazio. Abraço!

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  7. Você tocou em um ponto impportante. A coisa de, hoje em dia, vender a fórmula do autodescobrimento, conhecer-se melhor para adquirir mais qualidade de vida. Até que ponto isso é válido? Tá bom, você se conhece pelo autodescobrimento, mas, e aí? Como lidar com os desafios da vida, agora sem os véus de outrora? Interessante.

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    1. Oi, Fabiano! O assunto Deus é muito particular, não? Cada ser humano o enxerga e lida com Ele de forma diferente, sendo assim não há fórmula pronta pra senti-lo. É uma alegria ler seus comentários meu amigo. Abraço!

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