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Conto: Mar de Louise

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Mar de Louise I Ela entrou no apartamento como quem não invade, mas também não pede licença. Havia nela uma presença calma, quase distraída, como se o espaço já a conhecesse antes de mim. O vestido claro não chamava atenção — era o movimento que chamava. Um modo de atravessar o ambiente sem se fixar nele. Seus olhos não procuravam nada, e talvez por isso encontrassem tudo. Cumprimentou-me com um gesto simples. Nada foi dito além do necessário. Ainda assim, algo se deslocou em mim, não como impacto, mas como ajuste. Um objeto antiquado encontrando, enfim, o lugar correto sobre a mesa. O perfume era leve. Não ficou. Passou. E foi exatamente isso que permaneceu. Louise caminhava pelo apartamento observando sem julgar. Tocava os móveis como quem reconhece uma história que não precisa ser contada. Em certos momentos, parecia ouvir algo que eu não ouvia. Em outros, parecia apenas de...

Poema: Pra Te Encontrar

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!



Pra Te Encontrar



Pra te encontrar, eu caminho entre delírios e brumas, ouço vozes no vento, e uma delas, sutil, é a tua — chamando meu nome nas entrelinhas do silêncio.

Tua voz ecoa em meu caminhar, como se cada passo fosse um chamado, como se a estrada soubesse que o destino é tua presença.

Faço valer tua ausência, mesmo quando ela pesa como pedra nos ombros.

Carrego tua falta como quem carrega uma esperança enraizada na dor.

Lembranças ignotas passam, vultos do que fomos, fantasmas que visitam as madrugadas em que tudo é mais claro.

Teu semblante marcado, gravado em minha pele como cicatriz sagrada, tempo estagnado no contorno dos teus olhos.

Caminhei por campos selvagens, atravessei montanhas áridas, beira-mar, além-mar, buscando qualquer sinal teu na espuma, no sal, no céu aberto, no ventre do teu eu, no útero teu.

Existo no balbuciar do mundo, nessa língua imperfeita feita de suspiros e esperas.

Fadas existem — acredito nisso quando teus olhos transbordam meus sonhos, quando tua memória me toca como perfume antigo guardado em madeira.

Feridas saram, até mesmo as mais fundas, mesmo aquelas que o tempo fingiu esquecer, mas que sangram ao menor toque da lembrança.

Coração machucado, sangrando versos que não mostro a ninguém, guardo as palavras como quem protege um segredo antigo.

Mas o dia feliz chegará — eu sei.

Através da luz renascerá o que se perdeu na sombra.

Poesia alegre, volto a grifar teu nome nas páginas do recomeço.

E à tentação, essa que tenta me arrastar de volta ao abismo, eu digo: vá embora.

Para não mais voltar.

Pois para te encontrar, não preciso mais me perder no abismo.

O abismo que tenho agora no peito é tua ausência e teu silêncio.



É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano

Comentários

  1. Luciano,

    Teu texto é um caminhar pela dor com a dignidade de quem ainda acredita na luz. Transformaste a ausência em poesia e o abismo em palavra e isso é força. Há esperança silenciosa em cada imagem, como quem sabe que o reencontro existe, mesmo que longe.

    Obrigada por fazer da saudade um caminho,
    e não um fim.
    Fernanda!

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    1. Oi, Fernanda! Agradeço a gentileza de compartilhar suas palavras neste modesto espaço. Ler teus comentários é mergulhar fundo nas águas profundas. Abraço querida!

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  2. Palavras incríveis, que penetram no fundo de nosso ser.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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    1. Oi, Emerson! Obrigado meu amigo. Boa semana pra ti também. Abraço!

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  3. Muito belo, amigo! Cheguei até aqui por indicação da Cathiao. Confesso: fizeste valer a viagem! Meu abraço, boa semana.

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    1. Oi, Árabe! Seja bem vindo ao meu modesto espaço virtual. Apareça sempre que quiser. Boa semana pra ti também. Abraço!

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  4. Olá! Lindíssimo seu poema tão sensível e profundo. Gostei muito. Parabéns

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    1. Oi! Obrigado querida! Que bom que você tenha gostado do poema. Abraço!

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  5. Oi, Luciano, teu poema tem o brilho da esperança no reencontro e a doçura da saudade que encanta. As imagens sentimentais que evoca são delicadas e de um lirismo encantador.
    Bjssssss, Marli

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    1. Oi, Marli! Obrigado querida. Sua sensibilidade faz enxergá-lo assim. A poesia é isso, trazer um pouco de beleza nesse mundo acizentado, mas poucos enxergam. Abraço!

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