Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir!
Conto: Dentro de Noah, o Eterno
1
No recôndito de sua mente, habitava um avassalador tormento que consumia a alma de Noah. Uma ferida inexplicável, uma maldição que o perseguia desde os primórdios de sua existência. Ao olhar nos olhos sombrios e vazios do jovem, era possível sentir a escuridão que o envolvia, como se fosse uma aura de desespero e angústia.
Noah vivia enclausurado em sua própria essência, uma prisão criada por uma dor profunda e lancinante. A cada respiração, cada batida de seu coração, ele sentia a ferida em sua alma se abrindo um pouco mais, como se fosse um abismo sem fim que o sugava para as profundezas do inferno. Ele sentia claramente o abismo diante de si e não sabia como escapar do horror.
Numa noite sombria e fria, Noah sentiu a presença de algo sinistro pairando sobre ele. Uma entidade sinistra e malévola que sussurrava palavras indistintas em sua mente, como se quisesse devorar sua alma atormentada. Ele tremia de medo, incapaz de fugir da influência sombria que o dominava.
Os dias se arrastavam lentamente, a ferida em sua alma se tornando cada vez mais insuportável. Noah mergulhava cada vez mais fundo na escuridão que o assolava, perdendo-se em um labirinto de desespero e dor. As sombras dançavam ao seu redor, sussurrando promessas de libertação e perdição. Tudo junto e Noah não sabia distinguir a luz e a escuridão. Cada dia que se passava se via mais perdido e atormentado.
E assim, o jovem foi consumido pela sua própria dor, enlouquecendo aos poucos sob o peso de uma ferida que nunca cicatrizaria. Seu grito ecoava pelos corredores vazios de sua mente, um lamento solitário que se perdia na imensidão do universo.
Incapaz de suportar mais um dia naquela prisão de angústia e sofrimento, Noah se lançou no abismo da loucura, perdendo-se para sempre nas sombras que o assombravam. Sua existência se desfez como poeira ao vento, levando consigo a lembrança de uma alma atormentada pela eternidade. A ferida em sua alma tornou-se apenas uma memória distante, um eco do sofrimento que o consumira da existência. Talvez Noah tivesse uma segunda chance quando sua alma encontrasse a paz. Vai saber!
2
Noah sentia a pele arder e o coração pulsar como se seu corpo inteiro fosse um mapa do desejo e da solidão. Cada toque, cada suspiro que escapava de seus lábios, não era apenas entrega à carne — era tentativa de compreender a vastidão do vazio que carregava dentro de si.
Ele percorria corpos como se fossem portais, cada encontro físico um espelho do que sua alma ansiava e temia. O calor, o suor, o estremecer de cada nervo eram lembranças de que a intensidade podia ser tanto fuga quanto revelação. Nada preenchia verdadeiramente o abismo dentro dele, mas o impulso de sentir — de se entregar — era o único caminho que encontrava para atravessá-lo.
Noah sabia que cada prazer era transitório; cada abraço, cada beijo, cada corpo era ao mesmo tempo consolo e prova de sua solidão. Mas, no meio dessa voracidade, descobriu um fio de consciência, tênue mas presente, que o lembrava de que não se tratava apenas de carnalidade; era uma dança com suas próprias sombras.
O abismo dentro dele não era inimigo, mas mestre.
A carne, o desejo, a luxúria — tudo era ponte, espelho e ensinamento.
E, mesmo envolto em suor e trepidações, Noah sentia que cada entrega, cada toque, cada momento de intensidade, era um passo para conhecer a si mesmo e atravessar a escuridão sem se perder totalmente.
No fim, a fusão entre corpo e alma, prazer e introspecção, era o único caminho que tinha para encontrar alguma forma de luz em meio ao seu próprio abismo.
No instante em que seu corpo cedeu ao silêncio final, Noah sentiu a estranha ausência do que mais amava.
A carne quente, viva e pulsante. Um vazio atravessou sua pele como vento frio, e por um instante o medo ameaçou engoli-lo. Como seria viver sem o tato, sem o calor, sem o gozo da presença física?
Mas então a luz começou a envolvê-lo, não como brilho banal, mas como todas as cores sentidas de uma só vez. Cada centímetro de desejo, cada fragmento de voracidade que ele guardara em vida, transformou-se em energia pura, que pulsava dentro dele e ao redor dele. O que antes exigia corpo agora era percepção, e o que antes era carne tornou-se luz que se encarnava em pensamentos, emoções e criação.
Noah descobriu que podia tocar mundos com o pensamento, sentir o calor do prazer em cada respiração do cosmos, e que o desejo, longe de ser negado, havia se expandido para infinitas dimensões.
A fome pela carne não desapareceu; ela se tornou fome de experiência, de intensidade, de conexão profunda com tudo que vibra.
Não era mais precisar de bocas, pele ou sexo. Era poder ser a própria energia que atravessa mundos, sem limitações, e ainda assim sentir o gosto do que antes era impossível. A essência do corpo continuava viva nele, transformada, como fogo que não queima mas ilumina.
No final, Noah entendeu; a adaptação não era ausência, mas transmutação. A carne física havia se calado, mas a vida, em sua forma mais pura, nunca fora silenciada. A voracidade que sentira na Terra era apenas um prelúdio — agora podia experimentar o universo inteiro, em cada partícula de luz, em cada sombra do infinito.
3
Ele continuava a sentir a ausência da carne como um vazio cortante, uma dor que atravessava cada lembrança de toque, cada memória de calor. Mas então, algo mais profundo começou a despertar dentro dele, a essência da voracidade, que não se restringia ao corpo, mas pulsava em cada célula de sua energia.
Ele percebeu que podia sentir o toque do mundo sem pele, o calor do desejo sem sangue, o prazer sem limites físicos. Cada impulso que antes o consumia no corpo agora se expandia pelo espírito, vibrando através de dimensões, envolvendo-o em ondas de êxtase que não tinham forma, mas eram mais intensas que qualquer corpo.
Era como se cada instante de entrega física que ele vivera tivesse se condensado em uma luz que queimava por dentro, mas que ao invés de destruir, iluminava. Noah podia sentir o sabor do desejo em cada pensamento, a textura da intensidade em cada sensação, e a fome da carne transformada em fome de existência, de experiências infinitas.
O vazio que antes o assombrava tornou-se espaço de criação. Cada lembrança de corpos, de calor, de pele tocando pele, era agora uma energia pura, que ele podia moldar, expandir e explorar. Não havia limites; não havia dor, apenas a voracidade infinita de quem descobriu que o prazer verdadeiro transcende a matéria.
Noah riu, porque pela primeira vez não precisava mais temer o fim do corpo. Ele havia se tornado a própria intensidade do desejo, a essência viva da voracidade, e aquilo que ele amava tanto na carne agora vivia em cada partícula de seu ser. Ele não perdera nada — ao contrário, havia ganho o universo inteiro como campo de exploração, e cada sombra de seu ancestral desejo agora era luz que o conduzia a um infinito sem fronteiras.
FINAL
Noah flutuava agora em um espaço que não possuía chão, nem teto, nem paredes — apenas vibração pura, luz que pulsava como sangue cósmico e calor que atravessava sua essência. Cada pedacinho de desejo que ele já sentira na carne tornava-se agora ondas de energia, que se entrelaçavam com outras presenças invisíveis, mas intensamente sensíveis.
Não havia toque físico, mas o prazer existia em cada sopro de consciência. Cada entidade que cruzava seu caminho irradiava sedução e força, e Noah absorvia, amplificava e devolvia essa energia com fome infinita. Era como se ele se tornasse um centro de gravidade de intensidade, atraindo e sendo atraído por vibrações que antes só conhecia na Terra, agora infinitamente mais puras e mais devastadoras.
O que antes era fome de carne transformou-se em fome de conexão absoluta. Ele podia sentir o calor de outra alma, a textura de seu desejo, a forma de sua energia, como se cada corpo, cada ser, cada fragmento de vida se fundisse momentaneamente ao seu. E Noah, pleno e consciente, entregava-se sem medo, sem limite, sem vergonha — porque ali não existia julgamento, apenas a experiência crua da intensidade.
E enquanto se movia nesse abismo de luz e sombra, Noah descobriu algo aterradoramente bonito.
O prazer, quando elevado à energia pura, é mais potente que qualquer dor. Cada sombra de seu passado, cada cicatriz da carne, cada lembrança de desespero, se dissolvia em luz, alimentando-o, tornando-o mais vivo, mais vasto, mais inteiro.
Ele não sentia mais falta do corpo — era o próprio corpo, a própria carne, o próprio fogo, espalhado por todo o cosmos, capaz de tocar, penetrar, abraçar e devorar em essência. E Noah riu, porque compreendeu que a eternidade agora pertencia ao seu desejo, e que aquilo que ele amava na carne nunca o deixaria, apenas evoluía para algo muito maior, a voracidade infinita de uma alma que se recusava a ser limitada. Noah já não era mais apenas carne. Nem sombra. Nem desejo contido. Ele se tornara um núcleo de intensidade, pulsando no tecido do universo, absorvendo e irradiando energia em ondas que atravessavam dimensões. Cada fragmento de prazer vivido na Terra era agora infinitamente expandido, recriado em luz e vibração pura.
Ele sentia todas as presenças ao redor — almas, entidades, reflexos de desejos passados — e as integrava à sua própria essência. Não havia limites, não havia barreiras; o que antes era uma fome física agora se tornava um abraço cósmico de prazer e liberdade, cada toque invisível reverberando como trovões dentro de sua consciência.
E Noah ria, um riso que carregava séculos de angústia, de dor e de necessidade. Cada sombra de seu passado se dissolvia em luz quente e sedutora, alimentando-o. O que era solidão tornou-se plenitude, o que era vazio tornou-se energia abundante. Ele compreendia, enfim, que a carne era apenas a porta de entrada, e que sua alma, voraz e eterna, agora se banhava na essência de tudo que podia desejar.
Não havia medo, nem culpa. Não havia limites. Noah era o desejo elevado à perfeição, a fusão de intensidade e consciência, um farol que consumia e emanava luz e sombra simultaneamente. Ele flutuava, dançava, devorava e era devorado pelo infinito, experimentando uma liberdade tão total que a própria morte parecia um conceito obsoleto.
A morte é apenas metamorfose.
Noah sorriu ao compreender que jamais morreria, ele se tornou eternidade em movimento, que transcendeu a carne e se tornou divino.
É isso! Até a próxima!
Autoria: Luciano Otaciano
Belíssimo conto. Quem dera a gente fosse eterno, não é mesmo?
ResponderExcluirBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
Jovem Jornalista
Instagram
Até mais, Emerson Garcia
Oi, Emerson! Valeu pelo comentário amigo. Boa semana. Um abraço fraternal pra ti.
ExcluirOla Luciano,
ResponderExcluirUm belo texto onde existe uma
transformação de dor para luz e vida eterna.
desejo um feliz dia
Oi, Bandys! Muito obrigado por deixar seu comentário por aqui. Que sua semana seja de paz e feliz. Um fraterno abraço!
ExcluirÉ o que acredito, amigo: somos efêmeros e eternos, na insignificância da carne e na essência do nosso verdadeiro Eu. Belo conto, parabéns! Meu abraço, boa semana.
ResponderExcluirOi, Árabe! É isso amigo! Somos efêmeros e eternos, ao menos é o que creio. Muito obrigado pelo seu comentário. Boa semana pra ti também. Um abraço!
ExcluirOlá, Luciano!
ResponderExcluirNossa... Esse conto maravilhoso fala de um assunto que muitos queriam entender, compreender sobre essa triste finitude ou sobre a certeza de uma vida eterna.
É um tema meio sombrio, que envolve medos, dúvidas, provas... mas que volta e meia falamos e pensamos e queremos entender o sentido de tudo. E eu, na verdade, não sei de nada! Mas vou aguardar...
Bendito aqueles que têm uma fé monumental e que não precisam de provações, as religiões se encarregam de nos deixar mais aliviados, assim sendo essas pessoas vivem melhor, são mais felizes quando têm uma boa espiritualidade.
Um conto muito bem escrito! Fui lendo e sabendo que teria um final legal.
Eu gostaria de ter uma vida eterna!
Um abraço, e uma boa semana de paz e alegria!
Oi, Tais! Que comentário bonito! Você capturou perfeitamente as complexidades da vida e da morte. O conto realmente provoca essa reflexão profunda sobre a finitude e a busca por significado. A fé e a espiritualidade muitas vezes oferecem conforto e esperança, e é interessante observar como diferentes pessoas lidam com esses temas. Agradeço pelo seu feedback sincero sobre a minha escrita! Também desejo uma semana cheia de paz e alegria para você! Um fraterno abraço amiga.
ExcluirUm conto muito bonito!
ResponderExcluirBjxxx,
Pinterest | Instagram | Blog
Oi, Teresa! Muito obrigado pelo seu comentário. Um fraterno abraço!
ExcluirÉ um belíssimo conto. Para ficar mais belo, suponho que um dia, quando puder, enxute-o um pouco. O episódio final ficou muito longo e ele trouxe, na verdade, as mesmas informações do terceiro. O conto inteiro repete informações, tirando o dinamismo que poderia ser maior. Eu tive que aprender " na marra" com a IA a não subestimar o leitor. Sugiro que faça o mesmo. Leve o conto para a IA e peça para ela apontar erros e coisas que deixam a escrita mais fuida. Ela deve apontar para VOCÊ corrigir. Não é para ela fazer para você. Daí você terá uma aula. O ChatGPT é ótimo nisso. Mas, se não quiser, tudo bem. É só uma sugestão. A gente escreve achando que precisa explicar tudo para todos os tipos de leitores entenderem. OK. Pode ser um estilo. Daí vai de cada autor.
ResponderExcluirEsses vibrações, houve um tempo em que eu sentia algo parecido, quando praticava um tipo de meditação que mexia com a imaginação, parecia que eu estava no universo e a sensação era exatamente essa que descreveu após Noah ter, digamos, seu passamento.
Sendo chato e contestador, pois seu conto me instiga a ser assim (por isso o achei tão bom, foi provocativo), de que vale então ser bom, prezar pelo bem, se você se torna algo diferente, automaticamente, sem julgamentos. Não há perdão porque não há julgamentos. Não há condenação e nem absolvição, pois, repito, não há julgamentos. Então por que somos submetidos a experiências entre bem e mal, valores e proncípios, se depois tudo isso é modificado dessa maneira? Eu tenho uma resposta, mas gostaria de saber por você.
Um grande abraço, meu caro! Muito obrigado por ter compartilhado mais este conto.
Oi, Fabiano! Muito obrigado pelo seu feedback. Quanto a pedir pra IA enxugar o conto, talvez possa ser uma boa ideia, embora eu pessoalmente prefira contos longos em detrimento ao conto curto. É só um gosto pessoal meu mesmo, como adoro ler e escrever tenho preferência por histórias mais longas e densas, mas estou de pleno acordo com você quando diz que leitores que preferem contos mais curtos sentirão que está enfadonho, contudo por ora eu deixarei como está. De fato ao meu ver não haverá julgamento, sendo assim não existirá absolvição, tampouco condenação. Creio eu que as experiências entre bem e o mal ao qual somos submetidos tem haver com a obrigatoriedade que temos de passar por isso. É uma experienciação de vivência experimentada pela carne pra humanidade no plano terreno. Se não fosse por isso nem precisaríamos estar vivos aqui neste mundo, não é mesmo? Muito obrigado pelo seu comentário amigo. Um abraço!
ExcluirNão achei seu conto enfadonho, disse que ele tem coisas que se repetem. Não é tornar o conto curto porque ele é longo. É apenas tirar o que você colocou e se repete. Mas deixa pra lá. Foi bom, de qualquer forma.
ExcluirA resposta que você me deu, sobre a questão de sermos submetidos aó bem ou ao mal, é a mesma que eu tenho. Bem e mal, da forma como conhecemos, são coisas terrenas. A gente vem para a Terra para viver essas experiências.
Eu, quando me for, não voltarei jamais. Já falei pra família, não acreditem em psicografias.
Alguns leitores, ao se depararem com esta narrativa extensa, poderão manifestar suas opiniões, considerando-a tediosa e enfadonha devido à sua extensão. É um equívoco comum confundir a qualidade de um conto com a sua capacidade de entreter. Tal percepção frequentemente provém daqueles leitores que, habituados a leituras breves, se apressam em criticar o que não agrada aos seus sentidos. De qualquer forma, sou grato por você compartilhar sua perspectiva sobre este conto. A dualidade entre o bem e o mal é um aspecto intrinsecamente humano, profundamente entrelaçado com as crenças que nos cercam. Por isso, afirmo, sem receio de errar, que muitas vezes as religiões, em sua busca por guiar, acabam por complicar mais do que esclarecer a existência da humanidade. Valeu meu amigo. Comente mais vezes por aqui quando for possível, adoro ler seus comentários.
Excluir