Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!
Poema: Cheiro de Terra Molhada Misturada ao Desejo
A chuva cai, não apenas sobre a terra.
Mas sobre a pele que arde de vontade.
Cada gota é um sussurro, um arrepio.
Um convite silencioso para o corpo e a alma se entregarem.
Ela desliza pelos contornos, pelos sentidos.
Como mãos invisíveis que despertam o desejo.
Molhando pensamentos, incendiando corações.
Transformando o toque da água em fogo que percorre veias.
O cheiro da terra molhada se mistura à volúpia.
Cada aroma desperta memórias esquecidas.
Onde carne e espírito se encontram.
E a paixão não conhece limites, nem tempo.
As folhas tremem lá fora, mas é o corpo que vibra aqui dentro.
Os rios correm, mas é o sangue que acelera.
E a chuva, testemunha silenciosa, abençoa.
A entrega total, visceral, sem reservas.
O som da chuva no telhado é agora batida de coração.
Ritmo que guia a dança do desejo.
Cada respiração, cada toque, cada arrepio.
Se entrelaça com o murmúrio sagrado do céu.
Chuva, tu és semente, energia, vida e testemunha.
Molha a alma, devora a razão, desperta o corpo.
Ensina que amar é também consumir e ser consumido.
Que a fusão é inevitável quando dois mundos se reconhecem um no outro.
É isso! Até a próxima!
Autoria: Luciano Otaciano
Querido Luciano,
ResponderExcluirConfesso que, ao ler tuas palavras, senti-me inclinada a olhar pela janela, não para confirmar a chuva, mas para verificar se o mundo permanecia em seu devido lugar depois de tamanha intensidade. Há almas que descrevem a natureza; outras, como a tua, parecem negociá-la, convencendo-a a conspirar a favor dos sentimentos mais profundos.
Tua escrita não pede licença: ela entra, ocupa, envolve. E ainda que alguns defendam a prudência como virtude maior, não posso deixar de reconhecer que existe certo encanto perigosamente sedutor, é verdade em quem se permite sentir sem economias. A chuva, em teu texto, não molha apenas o chão: ela justifica, absolve e quase educa o desejo.
Se me permites uma observação honesta
(e espero que sim, pois a franqueza é uma das poucas ousadias socialmente aceitáveis), diria que teu maior mérito não está na chama que acendes, mas na convicção com que acreditas que ela merece existir. Isso, convenhamos, é coisa rara e, para alguns, irresistível.
Com estima e curiosidade,
Uma leitora atenta😜
Fernanda
Oi, Fernanda! Muito obrigado por sentir profundamente minha escrita, infelizmente grande parte dos leitores não se permitem irem fundo, mas faz parte. E uma honra imensa ter uma leitora atenta como você é. Grande abraço amiga.
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