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Resenha: Olhos D'Água

LIVRO: OLHOS D'ÁGUA  ANO DE LANÇAMENTO: 2014 AUTORA: CONCEIÇÃO EVARISTO  EDITORA: PALLAS  NÚMERO DE PÁGINAS: 116 CLASSIFICAÇÃO: ☆☆☆☆☆ Sinopse:  Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e...

Sobre Consciência Como Ela É

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui! Vem conferir!



SOBRE  CONSCIÊNCIA COMO ELA É



Ontem, enquanto eu esperava o café coar, olhei pela janela e vi um passarinho bicando o próprio reflexo no vidro do vizinho. Aquilo me fez pensar — coisa perigosa essa de pensar logo cedo — sobre o que a gente anda bicando por dentro.

Tem gente que diz que o amor é o que temos de mais precioso. Outros colocam a fé nesse pedestal. Eu, mais comedido e talvez um tanto calejado, digo que é a consciência. Essa filha da puta é, efetivamente, a coisa mais cara que temos. E não me refiro a preço de mercado, não. Falo de custo íntimo, desse que cobra em noites insones, suspiros engolidos e silêncios gritantes.

Ter consciência é acordar todos os dias com a obrigação de não fingir que não viu. É lembrar do que disse, do que calou, do que fez e do que deixou de fazer — com nome, data e culpa. E ainda assim, seguir em frente, de café coado e alma cansada, tentando ser melhor sem cair na armadilha de se achar bom demais.

Às vezes invejo o passarinho. Talvez ele não saiba que está brigando consigo mesmo. Talvez seja isso o segredo da leveza: ignorar o espelho e seguir cantando. Mas nós, seres humanos, não temos esse luxo. A consciência nos visita como um cobrador antigo: bate à porta, senta no sofá e fica ali, remoendo contas que não se pagam com dinheiro.

E mesmo assim, por mais cara que seja, não a trocaria por nada. Porque é ela quem me impede de dormir em paz quando sei que falhei. E também é ela que, de vez em quando, me faz sorrir por dentro, ao saber que, pelo menos hoje, eu fui inteiro. É isso! Até a próxima!

Comentários

  1. Oi Luciano, tudo bem?
    Bonita reflexão e bastante profunda.Toda vez que penso na nossa consciência esbarro na dúvida do que é realmente consciente e o que é apenas a reação de uma mente cansada e condicionada. Gosto de observar a natureza. Definitivamente é algo que me permite descansar dessas questões que nunca saberemos se serão respondidas satisfatoriamente algum dia.

    Resolvi publicar a resenha do seu livro ELO no meu blog, estará disponível na próxima quinta-feira (05/06).

    Até breve;
    Helaina (Escritora || Blogueira)
    https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
    https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)

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    1. Oi, Helaina! Estou bem, e espero que você também se encontre bem. Contemplar a natureza, de fato, revela-se uma forma admirável de aquietar os pensamentos e renovar o espírito. A tua dúvida, assim como a minha — e tantas outras que assombram os que vivem de questionar o que não se deixa tocar — brota, talvez, da própria limitação que habita em nossa mente finita. Ao meu ver, o ser humano não foi moldado, nem destinado, a decifrar com exatidão os mistérios que envolvem a consciência. Há algo nesse campo que escapa às ferramentas da lógica, como se estivéssemos diante de um espelho nebuloso que apenas insinua o que somos — sem jamais revelar por completo. Tenho convicção de que os enigmas da mente humana talvez somente encontrem respostas em uma dimensão além desta existência terrena; neste plano, permanecerão, em grande parte, envoltos em mistério. Grato por publicar à resenha de ELO em seu blog. Muito obrigado! Abraço!

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  2. Oi!
    Que bela reflexão, tem horas que a gente pensa pouco sobre viver 24 horas por dua com uma consciência e tem horas que pensamos demais né?

    https://deiumjeito.blogspot.com/

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  3. Que interessante essa matéria que acabei de ler, até compartilhei no meu Facebook resultado de hoje

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    1. Que bom que a matéria tenha sido interessante pra você. Abraço!

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