Pular para o conteúdo principal

Poema: Prece da Noite e do Vento

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Prece da Noite e do Vento Se cai a noite, tudo flui — me leva o vento. Onde ele quiser. Lua, minha guia silente. Me conduz até o sol renascer. Louco, sim, mas não marginal. Faço muito com pouco, sou essencial. Louco, todo mundo tem um pouco. Eu carrego quase cem no meu troco. Sem entorpecer, nasci apressado. Sete meses, um ser acelerado. Mais um comum, mas essa noite é louca. Quero nascer de novo, alma pouca. Do sereno sou, o que a noite traz? Mulheres, histórias, ressacas e paz. Do orvalho sou, o que a noite dá? Perigos, loucuras, vergonhas, sei lá. Se jogar é viver, celebrar, só lazer. Meu caminho a noite sabe guiar. Somos nós outra vez, no ar a voar. Na madrugada, o efeito a pulsar. Se a madrugada obtém o melhor de mim. Estou na fé que me ilumina assim. Tenho o tempo, meu aliado fiel. Saio só quando o sol abrir o céu. Madruga me chama, já sei. Portas se abrem onde eu estive...

Poema: Enquanto a Alma Me Escapava Pelos Meus Olhos

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!



Poema: Enquanto a Alma Me Escapava Pelos Meus Olhos



Foi durante a noite.

Ou melhor foi durante a ausência de mim.

Quando o sono não me carregava, mas sim me cuspia para fora do corpo, feito alguém que nunca pertenceu à própria carne.

Eu me vi.

Sim — me vi deitado.

Pálido.

Imóvel.

Vazio.

Como se a morte ensaiasse o meu corpo em silêncio.

Meu espírito, ou sei lá o quê, flutuava por cima de mim como uma dor que não cabe.

E eu sentia o peso do invisível me atravessando, como uma presença que não tinha nome mas me conhecia melhor que qualquer humano.

Eu quis voltar.

Mas não sabia como.

Havia um medo absurdo de nunca mais habitar o corpo.

Um medo que grita sem boca, que implora sem voz.

E não havia ninguém para me chamar de volta.

Só o escuro.

Só o frio.

Só a verdade nua de que há dimensões que não respeitam relógios, leis, religiões ou lógicas.

Eu voltei.

Aos trancos e barrancos.

Com a alma ferida.

Como quem volta de um lugar onde não devia ter ido — mas foi, porque carrega dentro de si uma antena partida, um dom maldito, uma sensibilidade que sangra.

Sou médium, dizem. 

Sou ponte, dizem também. 

O mundo já tem os rótulos pra mim, à espera que eu o agarre.

Sou espaço por onde o invisível caminha.

Mas isso me atormenta.

Isso me desloca.

Isso me condena aos olhos cegos de um mundo que teme tudo o que não consegue dominar.

Um mundo doente e ignorante que me julga sem conhecer minha história. 

Eu não escolhi isso.

Mas isso me escolheu.

E agora, cada vez que fecho os olhos para dormir, me pergunto se minha alma voltará inteira, ou se um pedaço dela ficará preso na escuridão que também me ama.

E assim sigo na existência terrena que é  viver. 





É isso! Até a próxima!




Autoria: Luciano Otaciano 

Comentários

  1. Luciano,

    teu texto é um mergulho corajoso numa experiência limite, daquelas que desorganizam a linguagem e obrigam a escrita a tatear o indizível. Há nele uma lucidez dolorosa, um corpo observado de fora, uma alma que volta ferida, mas consciente demais. Tocou-me especialmente essa ideia de ser ligação sem ter escolhido sê-lo o peso de sentir além, num mundo que prefere rótulos ao mistério. Teu relato não pede explicações; ele pede escuta. E fica, inquietante e verdadeiro, como ficam as experiências que nos atravessam para sempre.

    Abraço
    Fernanda

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Fernanda! Experiências assim marcam pra sempre, especialmente quando não há preparo adequado pra isso, não? Abraço!

      Excluir
    2. Sim!
      Você tem toda razão. Experiências assim realmente marcam profundamente, sobretudo quando acontecem sem preparo, sem orientação e sem acolhimento. O impacto fica, mas com o tempo, estudo e cuidado, elas podem se transformar em aprendizado e equilíbrio. Obrigada pelo olhar atento e pela partilha.

      Um abraço!

      Excluir
    3. Obrigado Fernanda por deixar seu comentário. Abraço!

      Excluir
  2. Olá Luciano, adorei o poema!!! abraços e feliz 2026!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Ana Lúcia! Que bom que o poema tenha sido de seu agrado. Obrigado por deixar seu comentário por aqui. Abraço e Feliz 2026 pra você e sua família também.

      Excluir
  3. Bravíssimo Lu!
    Lindos e inspiradores versos.
    Bjins
    CatiahôAlc.

    ResponderExcluir
  4. Quando dormimos o consciente não manda.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

    ResponderExcluir
  5. É, meu caro. Ser médium é um dom, mas não significa que é bom, que é vantajoso, como alguns pensam. A mediunidade é apenas o que é.
    Sobre o mundo doente, eu acho que nós todos estamos de certa forma adoecidos em algumas coisas. Este não é um lugar bom. Ok que muita gente tem suas realizações, só que muitos também têm as frustrações. E tanto os que possuem suas realizações, quanto os que carregam as frustrações, todo mundo carrega um histório de problemas, se não é a própria existência, é tendo que aguentar a problemática existência de uma outra pessoa. Um mundo bom de verdade não seria assim. Mas é o mundo que temos e só nos resta viver.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Fabiano! Exato de pleno acordo. O jeito é ir vivendo da maneira que dá. Obrigado por comentar. Abraço!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog