Pular para o conteúdo principal

Resenha: A Grande Missão

LIVRO: A GRANDE MISSÃO  ANO DE LANÇAMENTO: 2017 AUTOR: FLÁVIO COLOMBINI EDITORA: AMAZON NÚMERO DE PÁGINAS: 96 CLASSIFICAÇÃO: ☆☆☆☆☆ SINOPSE: No dia do aniversário de Eduardo, sua mãe é misteriosamente sequestrada. O menino passa a receber ligações do sequestrador, que o manda cumprir diversas missões malucas e perigosas que incluem roubos, fugas, beijos, brigas e muito mais. Se Edu não completar cada um de seus desafios, sua mãe irá morrer. A Grande Missão é uma história repleta de ação, suspense, romance e aventura, que irá prender sua atenção da primeira até a última página. Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de resenha por aqui. Vem conferir! A GRANDE MISSÃO é uma narrativa pra lá de envolvente. Num mundo onde os limites da realidade se entrelaçam com as complexidades da juventude, conhecemos Eduardo, um jovem de 14 anos que se vê imerso em um drama de proporções extraordinárias. A tranquilidade de sua vida é abruptamente interrompida pelo seq...

Poema: Enquanto a Alma Me Escapava Pelos Meus Olhos

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!



Poema: Enquanto a Alma Me Escapava Pelos Meus Olhos



Foi durante a noite.

Ou melhor foi durante a ausência de mim.

Quando o sono não me carregava, mas sim me cuspia para fora do corpo, feito alguém que nunca pertenceu à própria carne.

Eu me vi.

Sim — me vi deitado.

Pálido.

Imóvel.

Vazio.

Como se a morte ensaiasse o meu corpo em silêncio.

Meu espírito, ou sei lá o quê, flutuava por cima de mim como uma dor que não cabe.

E eu sentia o peso do invisível me atravessando, como uma presença que não tinha nome mas me conhecia melhor que qualquer humano.

Eu quis voltar.

Mas não sabia como.

Havia um medo absurdo de nunca mais habitar o corpo.

Um medo que grita sem boca, que implora sem voz.

E não havia ninguém para me chamar de volta.

Só o escuro.

Só o frio.

Só a verdade nua de que há dimensões que não respeitam relógios, leis, religiões ou lógicas.

Eu voltei.

Aos trancos e barrancos.

Com a alma ferida.

Como quem volta de um lugar onde não devia ter ido — mas foi, porque carrega dentro de si uma antena partida, um dom maldito, uma sensibilidade que sangra.

Sou médium, dizem. 

Sou ponte, dizem também. 

O mundo já tem os rótulos pra mim, à espera que eu o agarre.

Sou espaço por onde o invisível caminha.

Mas isso me atormenta.

Isso me desloca.

Isso me condena aos olhos cegos de um mundo que teme tudo o que não consegue dominar.

Um mundo doente e ignorante que me julga sem conhecer minha história. 

Eu não escolhi isso.

Mas isso me escolheu.

E agora, cada vez que fecho os olhos para dormir, me pergunto se minha alma voltará inteira, ou se um pedaço dela ficará preso na escuridão que também me ama.

E assim sigo na existência terrena que é  viver. 





É isso! Até a próxima!




Autoria: Luciano Otaciano 

Comentários

  1. Luciano,

    teu texto é um mergulho corajoso numa experiência limite, daquelas que desorganizam a linguagem e obrigam a escrita a tatear o indizível. Há nele uma lucidez dolorosa, um corpo observado de fora, uma alma que volta ferida, mas consciente demais. Tocou-me especialmente essa ideia de ser ligação sem ter escolhido sê-lo o peso de sentir além, num mundo que prefere rótulos ao mistério. Teu relato não pede explicações; ele pede escuta. E fica, inquietante e verdadeiro, como ficam as experiências que nos atravessam para sempre.

    Abraço
    Fernanda

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Fernanda! Experiências assim marcam pra sempre, especialmente quando não há preparo adequado pra isso, não? Abraço!

      Excluir
    2. Sim!
      Você tem toda razão. Experiências assim realmente marcam profundamente, sobretudo quando acontecem sem preparo, sem orientação e sem acolhimento. O impacto fica, mas com o tempo, estudo e cuidado, elas podem se transformar em aprendizado e equilíbrio. Obrigada pelo olhar atento e pela partilha.

      Um abraço!

      Excluir
    3. Obrigado Fernanda por deixar seu comentário. Abraço!

      Excluir
  2. Olá Luciano, adorei o poema!!! abraços e feliz 2026!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Ana Lúcia! Que bom que o poema tenha sido de seu agrado. Obrigado por deixar seu comentário por aqui. Abraço e Feliz 2026 pra você e sua família também.

      Excluir
  3. Bravíssimo Lu!
    Lindos e inspiradores versos.
    Bjins
    CatiahôAlc.

    ResponderExcluir
  4. Quando dormimos o consciente não manda.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

    ResponderExcluir
  5. É, meu caro. Ser médium é um dom, mas não significa que é bom, que é vantajoso, como alguns pensam. A mediunidade é apenas o que é.
    Sobre o mundo doente, eu acho que nós todos estamos de certa forma adoecidos em algumas coisas. Este não é um lugar bom. Ok que muita gente tem suas realizações, só que muitos também têm as frustrações. E tanto os que possuem suas realizações, quanto os que carregam as frustrações, todo mundo carrega um histório de problemas, se não é a própria existência, é tendo que aguentar a problemática existência de uma outra pessoa. Um mundo bom de verdade não seria assim. Mas é o mundo que temos e só nos resta viver.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Fabiano! Exato de pleno acordo. O jeito é ir vivendo da maneira que dá. Obrigado por comentar. Abraço!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog