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A Felicidade Não Usa Maquiagem

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir! A Felicidade Não Usa Maquiagem    Tem gente que gosta de colecionar carcaça. Guarda amor morto no fundo da gaveta, empacota promessas vencidas em caixas bonitas, cheias de laço.  Eu já fiz muito isso. Com a cara amassada, uma garrafa de vinho caro pela metade e a lembrança de um “eu te amo” que expirou sem aviso prévio.  A verdade é que apegar-se ao que apodrece é a arte de arrancar a própria pele com as unhas.  Sofrer vira rotina, igual acender um cigarro depois do sexo — mesmo quando o sexo não foi dos melhores.  O ser humano tem essa tara em carregar cadáver emocional como se fosse medalha da Segunda Guerra Mundial.  Mas o velho sábio — aquele senhorzinho careca que vive na esquina da vida, jogando xadrez e você o ignora como se ele fosse a própria morte  cuspindo no chão — esse aprendeu o truque. Ele não se interessa pelo que morre. Nem ...

Poema: Mariposa no Orvalho

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!



Poema: Mariposa no Orvalho



Morto solitário, perdido entre as sombras do dia, onde o perfume adocicado se mistura ao gosto amargo do silêncio.

Beijo roubado, eco distante de um desejo que não volta, coração despedaçado, fragmentos caídos como folhas secas ao vento.

Semblante desfigurado, reflexo de um tempo acelerado, onde os minutos são foices, e cada segundo carrega um sabor temperado — ardido, amargo, inconfundível.

Corpo tatuado pela memória, marca de quem ama e sofre sem pedir licença, langor denotado em cada suspiro, em cada gesto lento e carregado.

Por ti carregado, como quem leva um fardo invisível, manhã pacata, tarde nublada, noite mal-assombrada — os fantasmas do passado dançam no escuro do peito.

Agonizei no passado, celebrei angústias como se fossem troféus, mentiras mal-amado, verdades apaixonado — um paradoxo que queima a alma.

Lembrança encantada, sentimento louvado, fui eu deixado, e fico eu estupefato com a vastidão da ausência.

Mariposa no orvalho, caminho no cascalho — antes só do que mal acompanhado, grito silencioso na vastidão do ser.

Morto solitário, eco perdido entre a vida e a sombra, a espera de um renascer que talvez nunca venha, ou que só virá no brilho tênue de uma nova manhã.




É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano 

Comentários

  1. Bom Dia, Luciano!

    Que poema intenso ele parece respirar dor, memória e poesia ao mesmo tempo.

    A imagem da mariposa no orvalho já abre o texto com uma delicadeza triste: algo leve preso ao peso da umidade, da madrugada, daquilo que ainda não secou dentro da gente. E você desenvolve esse sentimento com uma força impressionante: o silêncio amargo, o coração em fragmentos, o semblante marcado por um tempo que passa como foice.

    Há aqui uma honestidade brutal: o corpo tatuado pela memória, o passado que agoniza e ainda assim insiste em dançar no escuro do peito. É um poema que admite a queda, o fardo que não se vê, as verdades e mentiras que formaram essa paisagem afetiva estilhaçada.

    E então chega o verso que quase dói fisicamente:
    “Fui eu deixado e fico eu estupefato com a vastidão da ausência.” Imenso, preciso, devastador.

    O final, porém, guarda uma fresta: esse renascer incerto, mas possível, que talvez venha no “brilho de uma nova manhã”. É a esperança mínima, mas viva e é isso que sustenta o poema.

    Um texto belíssimo na sua dor e na sua profundidade.
    Bravo poeta👏🏻👏🏻👏🏻

    Abraço,
    Fernanda

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    1. Bom dia Fernanda. Fico impressionado com sua sensibilidade. É tocante e um privilégio ler seus comentários tão precisos e sensível. Muito obrigado pelo comentário minha amiga. Abraço querida!

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  2. Olá, Luciano.

    Fiquei aqui tentando captar as nuances desse morto solitário e perdido que reflete sobre beijos roubados, desejos e memórias. No fundo, todos somos meio mariposas no orvalho.

    Abraços

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    Respostas
    1. Oi, Eduardo! De pleno acordo quando diz que no fundo somos meio mariposas no orvalho. O termo morto solitário se refere a um estado emocional, ou solidão, pode ser também o vazio. Vejo que você não é lá muito bom em comentar poemas, não? Abraço!

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  3. Oi, Luciano.
    Estou de volta à minha casa, começando a ler os blogues que gosto. Gostei muito deste poema "Mariposas no Orvalho". Ele sugere imagens variadas e doloridas de silêncios e abandonos. Há uma torrente de mágoas (construídas e desconstruídas) no passado e no presente, verdades e mentiras que nos levam para os mundos invisíveis e diferenciados do ser. Gosto disso. A ausência é uma constante nos versos e dá forma ao poema. No final resta a eterna dúvida. E o poeta segue solitário "perdido entre a vida e a sombra", à espera de um renascer que virá ou não. Muito bom!
    Bjssss, marli.

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    Respostas
    1. Oi, Marili! Seus comentários sempre tão precisos. Você capta as nuances do poema perfeitamente. É uma satisfação pra mim que tu tenhas gostado do poema. Obrigado pelo comentário sensível e observador. Abraço querida!

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  4. Belas palavras!

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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