LIVRO: OLHOS D'ÁGUA
ANO DE LANÇAMENTO: 2014
AUTORA: CONCEIÇÃO EVARISTO
EDITORA: PALLAS
NÚMERO DE PÁGINAS: 116
CLASSIFICAÇÃO: ☆☆☆☆☆
Sinopse: Olhos d’água Conceição Evaristo ajusta o foco de seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Ou serão todas a mesma mulher, captada e recriada no caleidoscópio da literatura em variados instantâneos da vida? Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida de ferro, equilibrando-se na “frágil vara” que, lemos no conto “O Cooper de Cida”, é a “corda bamba do tempo”. Em Olhos d’água estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.
Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de resenha por aqui. Vem conferir!
OLHOS D'ÁGUA, da aclamada escritora Conceição Evaristo, é uma coletânea de 15 contos que se consolidou como um marco na literatura brasileira contemporânea. Originalmente publicados na série "Cadernos Negros", os textos mergulham nas profundezas da experiência humana, especialmente a de mulheres e homens negros que habitam as favelas e periferias urbanas, vítimas da violência e da exclusão social.
A obra é um potente exemplo do que a própria autora denomina "escrevivência" – uma escrita que nasce e se alimenta da experiência de vida, da memória ancestral e da luta por dignidade. Conceição Evaristo, com sua trajetória de menina pobre de favela a doutora em literatura, empresta sua vivência para construir narrativas que, embora ficcionais, ressoam com uma verdade palpável e urgente. Os contos de "Olhos D'Água" são como pedaços de espelhos que refletem as múltiplas facetas da vida. Cada história apresenta personagens inesquecíveis, cujas existências são marcadas por desafios, perdas, mas também por uma resiliência e uma capacidade de amar e sonhar que emocionam. Vemos a busca por respostas sobre o passado no conto que dá título à obra, "Olhos d'água", onde a narradora tenta desvendar a cor dos olhos de sua mãe, um símbolo da memória e da identidade. Outros contos exploram temas como a violência urbana e a infância perdida em "Zaíta esqueceu de guardar os brinquedos", a maternidade e as escolhas difíceis em "Quantos filhos Natalina teve?", a complexidade das relações e a busca por liberdade em "Luamanda" e "Beijo na face", e a dura realidade dos meninos de rua em "Di Lixão" e "Lumbiá". A autora não se esquiva de abordar a dor, a opressão e a morte, mas o faz com uma sensibilidade que eleva a narrativa a um patamar de profunda humanidade. A linguagem de Conceição Evaristo é um dos grandes destaques do livro. Poética, visceral e, por vezes, crua, ela constrói imagens fortes e metáforas que permanecem na mente do leitor. A "frágil vara" em que as mulheres se equilibram, os "fios de ferro" que costuram a vida, e a "corda bamba do tempo" são exemplos da riqueza de sua prosa. A autora consegue denunciar as injustiças sociais sem cair no sentimentalismo fácil, celebrando a força e a capacidade de superação de seus personagens. OLHOS D'ÁGUA é mais do que uma coletânea de contos; é um convite à reflexão sobre a sociedade, a memória, a identidade e a resistência. É uma obra essencial para quem busca compreender as complexidades da experiência afro-brasileira e a universalidade dos sentimentos humanos. Uma leitura que toca, provoca e, acima de tudo, ilumina. É isso. Até a próxima!

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