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Conto: Mar de Louise

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Mar de Louise I Ela entrou no apartamento como quem não invade, mas também não pede licença. Havia nela uma presença calma, quase distraída, como se o espaço já a conhecesse antes de mim. O vestido claro não chamava atenção — era o movimento que chamava. Um modo de atravessar o ambiente sem se fixar nele. Seus olhos não procuravam nada, e talvez por isso encontrassem tudo. Cumprimentou-me com um gesto simples. Nada foi dito além do necessário. Ainda assim, algo se deslocou em mim, não como impacto, mas como ajuste. Um objeto antiquado encontrando, enfim, o lugar correto sobre a mesa. O perfume era leve. Não ficou. Passou. E foi exatamente isso que permaneceu. Louise caminhava pelo apartamento observando sem julgar. Tocava os móveis como quem reconhece uma história que não precisa ser contada. Em certos momentos, parecia ouvir algo que eu não ouvia. Em outros, parecia apenas de...

Poema: Eclosão Notívaga

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!



Poema: Eclosão Notívaga 



A noite cai, manto escuro que envolve o mundo em sua soturna veste, a escuridão pesa, espessa, quase palpável, como se a alma se tornasse pedra fria, imóvel, em um silêncio profundo que estremece o coração.

A lua surge, negrejante e escarlate, como ferida aberta no céu, lançando sombras assustadoras que se arrastam pelas paredes, fantasmas malditos que dançam no limiar do medo.

O frio imensurável invade o ser, um calafrio que sobe pela espinha, transformando a ansiedade em monstro voraz, que se alimenta da solidão que insiste em se aconchegar, como um lobo faminto na penumbra da noite.

Tristezas se desfazem no ar, evaporam-se em suspiros que ninguém escuta, gritos ensurdecedores rompem o silêncio, ecoando em becos vazios, em almas perdidas.

Gatos miam nas esquinas, cães latem ao longe, corvos agourentos anunciam à eclosão notívaga, lamentando com cânticos fúnebres a dor de existir.

Bruxas voam sobre o inferno invisível,

sussurrando segredos maliciosos, atos libidinosos, perversos desejos que se revelam na penumbra, onde a razão se dissolve e o instinto impera.

A penumbra me faz testemunhar o espetáculo mórbido da vida e da morte, porque a morte, afinal, não dá pra evitar, um alívio, um fim, um recomeço em outra dimensão.

Calúnias vieram me contar, sussurros venenosos sobre quem eu sou, que eu não sabia prosear, que minhas palavras eram espinhos no silêncio alheio.

Mas eu sigo, navegando entre sombras e luzes quebradas, carregando meu medo, minha dor, até que a madrugada se levante, e traga consigo o calor da esperança.



É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano

Comentários

  1. Muito bom, amigo! Uma ode à tristeza e à solidão, que finda em uma explosão de esperança! Meu abraço, boa semana.

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  2. Oi!
    Adoro histórias com reflexão sobre o noturno e a lua!

    https://deiumjeito.blogspot.com/

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  3. Belo poema. Parabéns por ter escrito!

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  4. Bacana demais esse poema!

    A noite sempre simboliza os medos que nos aflora.
    Tenhamos muito cuidados com as bruxas e gatos pretos cruzando o caminho...

    abraços.

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