Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: O Eu Encarnado O eu encarnado não é mentira, mas também não é verdade final. É aparato. É nome provisório. É aparência suficiente para percorrer o mundo. Serve para amar. Errar. Trabalhar. Desejar corpos. Sentir medo. Sentir prazer. Serve para viver. Mas não é quem vive. O eu encarnado nasce para atuar, não para continuar. É um cargo temporário assumido pela consciência enquanto dura o corpo. Por isso sofre quando quer ser eterno. Por isso cansa quando se acredita absoluto. Quando lembrado como função, relaxa. Quando abandonado como identidade, silencia. Nada nele precisa ser salvo, porque nada nele é crucial. E ainda assim — tudo nele é necessário. O eu encarnado é a ligação, não o destino. É a roupa do sentir, não o sentir. É a voz, não o que escuta. Quando cair, não haverá perda — apenas término de uso. O que foi inquestionável não vestia o eu. O que foi vivido ...
Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Quando o Tempo Descansa O tempo não passa. Ele se posiciona. Corre apenas quando o empurramos com medo de acabar. Na quietude, o tempo aprende a permanecer. A finitude não é urgência. É dimensão. É o contorno que permite que algo seja tocado antes de desaparecer. Sem fim, não há aparição. A vida não pede impaciência. Pede percepção. A quietude não é ausência de movimento. É movimento sem atrito. É quando nada precisa avançar para estar vivo. Tudo o que insiste em durar cansa. Tudo o que aceita terminar repousa. O fim não rouba o vivido. Apenas o fecha. E o que foi fechado com exatidão não pesa. Quando o tempo descansa, não há futuro a temer nem passado a sustentar. Há apenas isto — respirando sem nome, sem promessa, sem falta. E isso basta. É isso! Até a próxima! Autoria: Luciano Otaciano