Pular para o conteúdo principal

Postagens

Poema: O Eu Encarnado

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: O Eu Encarnado  O eu encarnado não é mentira, mas também não é verdade final. É aparato. É nome provisório. É aparência suficiente para percorrer o mundo. Serve para amar. Errar. Trabalhar.  Desejar corpos. Sentir medo. Sentir prazer. Serve para viver. Mas não é quem vive. O eu encarnado nasce para atuar, não para continuar. É um cargo temporário assumido pela consciência enquanto dura o corpo. Por isso sofre quando quer ser eterno. Por isso cansa quando se acredita absoluto. Quando lembrado como função, relaxa. Quando abandonado como identidade, silencia. Nada nele precisa ser salvo, porque nada nele é crucial. E ainda assim — tudo nele é necessário. O eu encarnado é a ligação, não o destino. É a roupa do sentir, não o sentir. É a voz, não o que escuta. Quando cair, não haverá perda — apenas término de uso. O que foi inquestionável não vestia o eu. O que foi vivido ...
Postagens recentes

Poema: Quando o Tempo Descansa

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! Poema: Quando o Tempo Descansa O tempo não passa. Ele se posiciona. Corre apenas quando o empurramos com medo de acabar. Na quietude, o tempo aprende a permanecer. A finitude não é urgência. É dimensão. É o contorno que permite que algo seja tocado antes de desaparecer. Sem fim, não há aparição. A vida não pede impaciência. Pede percepção. A quietude não é ausência de movimento. É movimento sem atrito. É quando nada precisa avançar para estar vivo. Tudo o que insiste em durar cansa. Tudo o que aceita terminar repousa. O fim não rouba o vivido. Apenas o fecha. E o que foi fechado com exatidão não pesa. Quando o tempo descansa, não há futuro a temer nem passado a sustentar. Há apenas isto — respirando sem nome, sem promessa, sem falta. E isso basta. É isso! Até a próxima! Autoria: Luciano Otaciano 

Conto: Canção Noturna

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Canção Noturna I A noite me encontrou nu, tanto na pele quanto na alma. O ar denso da cidade parecia colar-se ao meu corpo, cada som distante vibrando dentro do meu peito como um lembrete de que o mundo continuava girando, indiferente ao meu desejo. Ela chegou sem aviso, e, no instante em que nossos olhares se cruzaram, senti o peso do inevitável: a carnificina de todos os meus autocontroles. Minhas mãos a buscaram antes mesmo da voz, traçando o contorno do seu ombro, deslizando por sua nuca, descobrindo cada linha como se fossem mapas remotos e proibidos. O cheiro dela invadia meus pulmões, e eu me perdi, completamente, sem resistência. O frio da noite contrastava com o calor que acendia minha pele, fazendo meu corpo inteiro vibrar em expectativa e medo. Quando nossos lábios se tocaram, não havia doçura. Havia urgência, quase violência, um consumo que não podia ser retardado....

Poema: O Sacerdote do Invisível

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir! O Sacerdote do Invisível  No templo do silêncio, onde o pedaço é profundo.  Um sacerdote caminha, entre sombras do mundo.   Vestido de mistério, com olhos de estrelas. Ele fala com o vento, e ouve as donzelas.   Com mãos de sabedoria, ele toca o etéreo. Revela os segredos do que é misterio e assustador.   As preces são sussurros, as oferendas, as folhas.   Que dançam ao ritmo das antiquadas escolhas.   Ele sabe que a vida é mais do que se vê.   Que o amor é um fio que nos tece, sem querer.   Em cada batida do coração sagrado.   Ele escuta as vozes de um mundo encantado.   Na penumbra suave, onde a luz se esconde.  Ele guia as almas que o destino responde.   Com a calma de um sábio, ele ensina a crer. Que o invisível existe, é preciso saber.   E ao final da cami...

Cuidado Com o Apego

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir! Cuidado Com o Apego O vício, essa força intrigante e complexa, se ergue como um enigma a ser desvendado. É prudente que voltemos a atenção ao nosso padrão vibratório, esse sutil reflexo de nossas decisões, que nos guia em momentos que demandam cautela. Sem que nos demos conta, o apego se transforma em um vício insidioso. Somos os mestres de nossa existência e de nosso caminho evolutivo. É imperativo cultivar uma vigilância extrema sobre a moderação em nossas ações, reconhecendo a gravidade do medo, que pode nos reduzir a meras sombras. Quando julgamos os atos alheios, perdemos de vista a particularidade de cada ser, especialmente em relação à decepção. Um zelo cuidadoso deve ser dedicado ao apego e à sua contraparte, o desapego. O que possuímos no plano material é, na verdade, um empréstimo temporário, destinado a nos ensinar e guiar em nossa caminhada. Ao partirmos, nada levamos ...

Resenha: Tenda dos Milagres

LIVRO: TENDA DOS MILAGRES ANO DE LANÇAMENTO: 2008 AUTOR: JORGE AMADO EDITORA: COMPANHIA DAS LETRAS  NÚMERO DE PÁGINAS: 320 CLASSIFICAÇÃO: ☆☆☆☆☆ Sinopse: Na Tenda dos Milagres, na ladeira do Tabuão, em Salvador, onde o amigo Lídio Corró mantém uma modesta tipografia e pinta quadros de milagres de santos, o mulato Pedro Archanjo atua como uma espécie de intelectual orgânico do povo afro-descendente da Bahia. Autodidata, seus estudos sobre a herança cultural africana e sua defesa entusiástica da miscigenação abalam a ortodoxia acadêmica e causam indignação entre a elite branca e racista. A história é contada retrospectivamente, em dois tempos. Em 1968, a passagem por Salvador de um célebre etnólogo americano admirador de Archanjo desencadeia um revival de sua vida e obra. Para a comemoração do centenário de nascimento do herói redescoberto, arma-se todo um circo midiático. Contrapondo-se a essa apropriação política da imagem de Archanjo, sua trajetória é narrada paralelamente como foi...

A Felicidade Não Usa Maquiagem

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de reflexão por aqui. Vem conferir! A Felicidade Não Usa Maquiagem    Tem gente que gosta de colecionar carcaça. Guarda amor morto no fundo da gaveta, empacota promessas vencidas em caixas bonitas, cheias de laço.  Eu já fiz muito isso. Com a cara amassada, uma garrafa de vinho caro pela metade e a lembrança de um “eu te amo” que expirou sem aviso prévio.  A verdade é que apegar-se ao que apodrece é a arte de arrancar a própria pele com as unhas.  Sofrer vira rotina, igual acender um cigarro depois do sexo — mesmo quando o sexo não foi dos melhores.  O ser humano tem essa tara em carregar cadáver emocional como se fosse medalha da Segunda Guerra Mundial.  Mas o velho sábio — aquele senhorzinho careca que vive na esquina da vida, jogando xadrez e você o ignora como se ele fosse a própria morte  cuspindo no chão — esse aprendeu o truque. Ele não se interessa pelo que morre. Nem ...