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Vem de Dentro

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir! Vem de Dentro Existe um momento do dia — e quase sempre ele chega no silêncio — em que nos perguntamos: “o que, de fato, eu sei?”. A princípio, parece pergunta de livro de autoajuda ou papo de filósofo entediado. Mas não. É só uma inquietação legítima que bate quando percebemos que a maioria das ideias que carregamos nos bolsos da mente não são realmente nossas. Chamam isso de conhecimento. Eu chamo de mobília emprestada. A gente vai ouvindo, lendo, pegando emprestado o que disseram por aí, e logo aquilo se instala em nós feito sofá obsoleto na sala da alma. Sentamos sobre certezas alheias, descansamos sobre frases feitas, e até decoramos o ambiente com verdades que não fomos nós quem plantamos. É um armazenamento sutil — silencioso e cumulativo. Como se estivéssemos, dia após dia, armazenando o outro dentro da gente. E quanto mais o tempo passa, mais pesamos. Um peso intelectual,...

Vem de Dentro

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de refletir por aqui. Vem conferir!



Vem de Dentro



Existe um momento do dia — e quase sempre ele chega no silêncio — em que nos perguntamos: “o que, de fato, eu sei?”. A princípio, parece pergunta de livro de autoajuda ou papo de filósofo entediado. Mas não. É só uma inquietação legítima que bate quando percebemos que a maioria das ideias que carregamos nos bolsos da mente não são realmente nossas.

Chamam isso de conhecimento. Eu chamo de mobília emprestada. A gente vai ouvindo, lendo, pegando emprestado o que disseram por aí, e logo aquilo se instala em nós feito sofá obsoleto na sala da alma. Sentamos sobre certezas alheias, descansamos sobre frases feitas, e até decoramos o ambiente com verdades que não fomos nós quem plantamos.

É um armazenamento sutil — silencioso e cumulativo. Como se estivéssemos, dia após dia, armazenando o outro dentro da gente. E quanto mais o tempo passa, mais pesamos. Um peso intelectual, sim, mas nem por isso menos cansativo. Há uma hora em que o corpo e a consciência pedem trégua. Algo sussurra: “chega de ideias que não te pertencem”.

Porque saber mesmo talvez seja o contrário de acumular, talvez seja o aliviar. Jogar fora um pouco do mundo e escavar em si. E quem sabe, entre os escombros de tantas referências, encontre-se, enfim, uma voz — que, diferente das outras, não ecoa de fora. Vem de dentro.



É isso! Até a próxima!



Autoria: Luciano Otaciano

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