Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão? Hoje é dia de poema por aqui. Vem conferir!
Poema: Sombras do Café Esquecido
O café me deixou ligado, um fio solto no escuro.
Você ficou de ligar, mas o silêncio engoliu a voz.
A noite se arrastou em inferno cinzento e frio.
Desespero de esperar, como cinzas caindo devagar.
O passado voltou rasgando as bordas da memória.
Você ficou de voltar, antes que a falta me comesse vivo.
Antes que o ar rareasse, sufocando o último suspiro.
Antes que o vazio se instalasse, eterno e sem fim.
O sol voou rasante, bombardeando um coração exausto.
Boca que extingue espécies, devagar, sem alarde.
Mãos de acelerar partículas, mas tudo desacelera agora.
Antenas para radioatividade, captando só barulho morto.
Olhos de ler código de barras, frios como um supermercado vazio.
Escaneando o que sobrou de nós, linhas sem cor.
Se viver fosse sem você, que paz seria essa coisa alguma.
Um alívio quieto, como chuva fina em janela embaçada.
Mas não dá mais pra viver sem você, nem um dia se arrastando.
O peito para, o mundo apaga, sem teu eco distante.
Chame de exagero, de bobagem sussurrada no vento.
Vou deletar teu corpo da minha tatuagem desbotada.
Puro desespero, autosabotagem em câmera lenta.
Tô fora da tua máscara de vaidade, perdida no breu.
Um alívio quieto, como chuva fina em janela embaçada.
Sem você, só o silêncio, e o fim que não acaba.
É isso! Até a próxima!
Autoria: Luciano Otaciano
Nossa Luciano!
ResponderExcluirSenti um desespero pela espera da ligação que não vinha.
Aí pensamentos mirabolantes inundaram a mente do protagonista, que hora se sentia só, hora desamparado, hora conformado, hora aliviado... Mas tudo movido por pensamentos que se desmanchariam ao som do primeiro: Alô!
Ótimo poema.
Um abraço!