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Conto: Ester, suas duas Filhas e Anastácio

Olá, caros leitores e caríssimas leitoras! Como estão?  Hoje é dia de conto por aqui. Vem conferir! Conto: Ester, suas duas Filhas e Anastácio   I Esqueceste, não foi? Esqueceste que sou tua mulher. Pois então, assenta esse corpo fatigado e encara, com os olhos bem abertos, a sentença que te cabe. Sou aquela com quem tu selaste pacto diante do altar de uma igrejinha simplória— onde o amor, idiota e esperançoso, ainda ousava se vestir de domingo. Eu, a que suportou tua ausência mesmo quando estavas presente; teus silêncios que transbordavam desculpas mal paridas; tua falta de norte disfarçada em pose de artista incompreendido. E agora, agora ousas tratar-me como sombra incômoda presa na sola de teus sapatos gastos — sombra que arrastas pelas calçadas da tua fuga. Sim, tua fuga. Covarde, silenciosa, disfarçada de liberdade. Tu, rodeado por essa fauna esnobe de cabeças ocas que sorvem café frio enquanto discutem Nietzsche como se mastigassem o próprio céu. Tu, sempre tu; ten...

Imaginação ou realidade?

Sempre que assisto seriados, filmes, minisséries ou qualquer outro tipo de ficção televisiva, isso sem entrar no mérito das ficções lidas, acabo me imaginando no papel de um ou mais dos personagens e tento sentir o que é viver aquela experiência, os desafios, as conquistas, as dificuldades, os dilemas entre tantas outras coisas, claro que mentalmente, mas como a neurociência explica, nosso cérebro não diferencia a imaginação da realidade. Sempre fiz isso como um exercício para enriquecer minhas sensações e também ampliar meus pontos de vista, afinal, ficar em realidades diferentes com premissas e situações diferentes, sempre nos faz observar outros pontos de vista e consequentemente abrimos nossa perspectiva das coisas e do mundo de uma forma geral.
Recentemente, assistindo um filme e “brincando” com essas perspectivas, virei essa percepção para minha realidade, meio que de maneira automática, como um click ou como mais comumente conhecemos, como um insight. Minha realidade pulou na minha frente como um filme. No momento, experienciei o processo inverso do que normalmente faço, em vez de trazer o filme para minha realidade mental, levei minha realidade para um “filme mental”. Confesso que, a sensação, num primeiro instante é totalmente estranha, até pelo simples motivo de ser novo. Todavia, a sensação que para mim foi desagradável inicialmente, foi gradativamente se transformando num maravilhoso frenesi agradabilíssimo de contentamento.
O que mais me chamou atenção neste processo foi a maneira como vivemos o dia a dia, como muitas vezes ele acontece “no automático”, na rotina, sem aquela dedicação que deve existir aos detalhes do aqui e agora e com isso várias questões importantes acabam passando despercebido e por vezes perdemos a grande riqueza de sermos nós.
Quantos de nós não sonhou com uma vida diferente, com profissões diferentes, com condições diferentes das que vivemos hoje? E isso não é errado nem um problema, sonhar, planejar, desejar as coisas faz parte da natureza humana e também nos dá objetivos a conquistar, claro que as conquistas exigem dedicação, preparo e atitude, mas essa é outra questão. Até aqui tudo bem, mas e a valorização do que temos, do que vivemos, do que aprendemos, do quanto realmente olhamos e somos gratos pelo nosso caminho?
Sugiro aos amigos leitores e leitoras um pequeno exercício; mentalmente pegue sua vida, em todos os âmbitos e detalhes, e pense nela como um filme, uma minissérie ou um livro e, a partir disso, olhe para a história como um expectador. Esse pequeno, mas poderoso, exercício permitirá que você perceba o quão rica é sua vida, envolvendo dramas, dificuldades, derrotas, mas também alegrias, amores, festas, amizades, superações e conquistas, tudo com uma infinidade de detalhes.
Às vezes, achamos que nossa vida é comum e monótona, mas se conseguirmos observar esses pontos veremos que cada um de nós tem uma experiência única, com grande aprendizado, que nos faz amadurecer e também acaba sempre servindo de exemplo para outros que tem o privilégio de observa-la de perto.
O que fazer com essa experiência, como agir perante cada situação, qual caminho seguir? Essas são apenas algumas dentre outras diversas decisões da interatividade desta maravilha que chamamos de vida.
Esteja consciente, lúcido, atento e viva intensamente o seu caminho.
Escolha o seu caminho!
Para exemplificar como seu cérebro não diferencia realidade de imaginação, sugiro o seguinte exercício.
Feche os olhos e imagine uma laranja, sinta seu cheiro e sua textura, corte a laranja ao meio e sinta as gotas que espirram durante o corte, o aroma que sobe, pegue uma das metades cortadas, aproxime-a de seu nariz e sinta o aroma peculiar, agora dê uma mordida na laranja. Sua boca aguou? Mas a laranja não estava lá. Isso é seu cérebro trabalhando como se a laranja estivesse ali, mesmo ela não estando, pois o cérebro não consegue diferenciar realidade de imaginação.
Assim é o funcionamento de nossa mente. O cérebro é um instrumento físico (parte do corpo) para a mente vagar por inúmeras dimensões existentes.

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